15/Jul/2026
Segundo a SCA Brasil, a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) representa um importante fator de sustentação para o setor sucroenergético em um cenário de forte expansão da oferta, mas não será suficiente para absorver integralmente a produção adicional prevista para a safra 2026/27. A medida criará um mercado adicional de aproximadamente 500 milhões de litros de etanol até o encerramento da atual temporada. Caso a mistura vigorasse durante todo o ano-safra, o incremento de demanda seria próximo de 1 bilhão de litros. Como a implementação ocorrerá a partir de 1º de agosto e terá vigência inicial de 180 dias, o impacto na safra 2026/27 será parcialmente limitado. A medida ocorre em um momento de oferta recorde de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar e do milho. Apesar de contribuir para ampliar a demanda, o aumento da mistura representa apenas parte da solução para uma produção que deverá crescer cerca de 4 bilhões de litros em relação ao ciclo anterior.
O restante do excedente deverá ser absorvido pelo aumento das exportações, pela redução das importações de etanol e pela expansão do consumo doméstico de etanol hidratado, favorecido pela maior competitividade frente à gasolina. A expectativa é de que as exportações aumentem cerca de 500 milhões de litros em relação ao ano anterior, enquanto a queda relativa dos preços do etanol tende a reduzir as importações, principalmente do produto norte-americano destinado às Regiões Norte e Nordeste. No mercado interno, a melhora da competitividade do etanol hidratado também deve estimular o consumo. Em São Paulo, a paridade do etanol em relação à gasolina recuou da faixa entre 67% e 70% para aproximadamente 58% a 59%, favorecendo a migração dos consumidores para o biocombustível. A combinação entre maior demanda decorrente do E32, crescimento das exportações e redução das importações poderá absorver aproximadamente metade do excedente adicional de produção.
O restante deverá ser consumido por meio do aumento das vendas de etanol hidratado em Estados onde sua participação ainda é relativamente reduzida, como Rio de Janeiro, Bahia, Distrito Federal e Santa Catarina. A expectativa também é de recuperação gradual dos preços do etanol, embora esse movimento dependa principalmente da ampliação do consumo. A avaliação é que as vendas mensais de etanol hidratado precisariam avançar do intervalo atual entre 1,7 bilhão e 1,8 bilhão de litros para cerca de 2 bilhões de litros para sustentar uma recuperação mais consistente das cotações. Em relação ao mix industrial, a adoção do E32 não deve provocar mudanças significativas, uma vez que o redirecionamento da produção para o etanol já ocorreu em função da menor atratividade do açúcar.
A participação da sacarose destinada à fabricação de açúcar recuou de pouco mais de 50% na safra passada para cerca de 45% nos primeiros meses do atual ciclo. Ainda assim, uma eventual recuperação dos preços internacionais do açúcar, caso se confirmem problemas climáticos em importantes produtores asiáticos, poderá estimular parte das usinas a ampliar novamente a produção do açúcar na segunda metade da safra. A elevação da mistura obrigatória contribuirá para reduzir parcialmente a necessidade de importação de gasolina. Atualmente, o Brasil importa entre 8% e 10% do combustível consumido internamente, volume equivalente a aproximadamente 2,5 bilhões de litros por ano. Embora o impacto seja limitado, o E32 tende a reduzir parte dessa dependência externa e contribuir positivamente para a balança comercial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.