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15/Jul/2026

Etanol: oferta superior à demanda pressionará preços

O Citi avalia que o mercado brasileiro de etanol deverá registrar excedente de aproximadamente 4 bilhões de litros na safra 2026/27, cenário que tende a intensificar a pressão sobre os preços do biocombustível. A perspectiva decorre do forte crescimento da produção, principalmente de etanol de milho, em ritmo superior ao avanço da demanda. Na ausência de fatores adicionais que estimulem o consumo, o mercado deverá permanecer em situação de excesso de oferta. A produção brasileira de etanol de milho deve alcançar cerca de 13 bilhões de litros na safra 2026/27 e a capacidade instalada poderá atingir aproximadamente 26 bilhões de litros nos próximos anos. Atualmente, o setor conta com 33 usinas em operação, com capacidade combinada de 13,6 bilhões de litros anuais, além de 19 unidades em construção e outras 17 em fase de avaliação.

A expansão da capacidade produtiva depende de fatores capazes de elevar o consumo para reduzir o desequilíbrio entre oferta e demanda. Entre os principais vetores considerados estão a possibilidade de ocorrência do El Niño, a manutenção dos preços da gasolina em patamares elevados em função das tensões no Oriente Médio, a adoção da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) e as alterações tributárias previstas na reforma tributária. A implementação da mistura E32 poderá ampliar a demanda por etanol em aproximadamente 1 bilhão de litros por ano. No entanto, esse incremento, de forma isolada, não será suficiente para absorver o crescimento esperado da oferta, diante do elevado número de projetos de expansão em andamento. Outro fator considerado favorável ao consumo é a possível adoção do sistema monofásico de ICMS para o etanol hidratado.

A uniformização da tributação poderá ampliar a competitividade do combustível, especialmente nas Regiões Norte e Nordeste, onde a carga tributária atualmente supera a média nacional. Dependendo do modelo adotado, a redução do imposto poderá alcançar R$ 0,52 por litro em alguns Estados, fortalecendo a competitividade do etanol frente à gasolina. Apesar de o etanol hidratado permanecer abaixo de 70% do preço da gasolina, patamar tradicionalmente considerado favorável ao consumo, o Citi observa que a demanda segue abaixo das expectativas. A instituição avalia que a preferência dos consumidores brasileiros pela gasolina limita o crescimento do consumo de etanol, indicando que mudanças no comportamento de abastecimento serão necessárias para acompanhar a expansão da produção. Um eventual El Niño poderá alterar significativamente esse cenário.

O fenômeno climático tende a reduzir a produtividade do milho, elevar os preços da matéria-prima e dificultar a moagem da cana-de-açúcar ao antecipar e intensificar o regime de chuvas, restringindo a produção de etanol. Paralelamente, caso o clima prejudique a produção de açúcar na Ásia, uma possível valorização dos preços internacionais da commodity poderá incentivar usinas brasileiras localizadas próximas aos portos a direcionarem maior volume de cana para a fabricação de açúcar, reduzindo a oferta de etanol. Entre os desafios estruturais para a expansão do etanol de milho, o Citi destaca a disponibilidade de biomassa utilizada na geração de energia das usinas. A instituição observa que a oferta desse insumo pode não acompanhar o ritmo dos investimentos, uma vez que culturas como bambu e eucalipto exigem ciclos entre três e sete anos para atingir maturidade. O elevado preço das terras e o ambiente de juros elevados também são apontados como fatores que podem reduzir a viabilidade econômica de novos empreendimentos.

O excedente projetado deverá manter pressão sobre as cotações do etanol. A liquidez do mercado já apresenta redução devido à retenção de estoques por parte dos produtores na expectativa de melhores preços. Caso esses volumes retornem ao mercado, as cotações poderão perder sustentação abaixo de R$ 2,2 mil por metro cúbico. O mercado internacional dificilmente absorverá o excedente brasileiro, uma vez que os preços externos permanecem inferiores aos domésticos e seriam necessários volumes recordes de exportação para equilibrar a oferta. A perspectiva de queda dos preços do etanol representa um fator desfavorável para empresas do setor. Apenas a combinação de uma safra menor de cana-de-açúcar em decorrência do El Niño, estímulos adicionais ao consumo de etanol hidratado e a implementação da mistura E32 teria potencial para reduzir de forma significativa o excedente esperado no mercado brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.