14/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta segunda-feira (13/07) em queda na Bolsa de Chicago, ampliando o movimento de correção iniciado na sessão anterior e permanecendo abaixo do patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O contrato com vencimento em outubro, referência do mercado, recuou 13 pontos, ou 0,87%, e fechou a 14,75 centavos de dólar por libra-peso. O mercado foi pressionado pelo avanço das chuvas das monções na Índia, pela manutenção de um quadro de oferta confortável no curto prazo e pela liquidação de posições por fundos de investimento. Dados do Departamento Meteorológico da Índia mostram que o déficit acumulado de precipitações diminuiu para 19% abaixo da média histórica até 13 de julho, ante 42% registrados no fim de junho, reduzindo as preocupações imediatas com perdas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Os fundamentos do mercado continuam influenciados pela elevada disponibilidade de oferta no Brasil. Dados da Unica indicam moagem acumulada de cana-de-açúcar no Centro-Sul 16% superior à registrada no mesmo período do ciclo anterior. A Hedgepoint projeta processamento de 635 milhões de toneladas de cana e produção de 39,9 milhões de toneladas de açúcar na safra atual. Pelo lado da demanda, a StoneX observa menor necessidade de compras por parte da China, após antecipação de importações, enquanto as aquisições da Indonésia de açúcar brasileiro recuaram 92,5% no primeiro semestre. No cenário macroeconômico, a valorização de 0,30% do índice dólar (DXY), para 100,952 pontos, também contribuiu para pressionar as cotações internacionais. Apesar da retração dos preços, fatores estruturais continuam oferecendo sustentação ao mercado no médio e longo prazo.
A alta de 5,22% do petróleo WTI, para US$ 76,01 por barril, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, melhora a competitividade do etanol e pode estimular maior direcionamento de cana para a produção do biocombustível, reduzindo a disponibilidade de açúcar. As perspectivas para o balanço global de 2026/27 também indicam redução do excedente de oferta. A Hedgepoint reduziu sua estimativa de superávit mundial de aproximadamente 4 milhões de toneladas para 1,8 milhão de toneladas, refletindo revisões negativas para a produção na Tailândia, União Europeia, México e América Central em decorrência de condições climáticas adversas. Para a Tailândia, a consultoria projeta safra de 9 milhões de toneladas, enquanto o relatório do FAS/USDA estima 9,5 milhões de toneladas, volume 15,6% inferior ao registrado no ciclo anterior. Outras instituições também projetam um mercado global mais ajustado nos próximos ciclos.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 262 mil toneladas, a StoneX projeta déficit de 550 mil toneladas, o Itaú BBA prevê déficit de 700 mil toneladas e a Czarnikow estima déficit de 100 mil toneladas. Esta última considera produção de 39,5 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul do Brasil e mix açucareiro de 47%, diante da maior atratividade econômica do etanol. Nesse contexto, embora o mercado permaneça superavitário no curto prazo, a expectativa é de um excedente menor do que o projetado no início do ano. As condições climáticas seguem como principal fator de risco para a formação dos preços. Modelos do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) indicam 67% de probabilidade de ocorrência de um Super El Niño, cenário que poderá intensificar os riscos para a produção global de açúcar nas próximas safras.