14/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar seguem com dificuldade para sustentar uma recuperação consistente no mercado internacional, mesmo diante das preocupações climáticas em importantes regiões produtoras e da redução das posições vendidas dos fundos de investimento. O cenário permanece dividido entre fatores de suporte às cotações e fundamentos que indicam oferta confortável no curto prazo. A principal limitação para uma valorização mais firme continua sendo a perspectiva de ampla disponibilidade do produto. A recente liquidação de posições vendidas por fundos contribuiu para impulsionar os preços, mas em intensidade inferior ao observado em movimentos históricos semelhantes, indicando que os participantes ainda avaliam a existência de excedente de oferta no mercado.
A dificuldade de o contrato futuro de açúcar com vencimento em outubro de 2026 permanecer acima do patamar psicológico de 15,00 centavos de dólar por libra-peso reforça a pressão vendedora. O comportamento das cotações indica resistência dos agentes em sustentar níveis superiores diante das condições atuais de oferta. No Brasil, a desvalorização do etanol hidratado estimulou usinas do Centro-Sul a anteciparem a fixação de preços de açúcar em níveis próximos de R$ 1.800,00 por tonelada, aumentando a disponibilidade do produto no mercado. Paralelamente, os prêmios de exportação no Porto de Santos recuaram para níveis inferiores às mínimas observadas nos últimos cinco anos, reduzindo as expectativas de uma demanda excepcional pelo açúcar brasileiro. No curto prazo, a combinação entre maior liquidez de venda das usinas brasileiras e fundamentos globais ainda confortáveis tende a limitar novas altas dos preços internacionais.
Entretanto, o clima permanece como o principal fator de risco para a formação das cotações nos próximos ciclos. Apesar da melhora recente das chuvas na Índia, continuam as incertezas sobre a evolução da safra diante da possibilidade de ocorrência de um episódio mais intenso de El Niño nos próximos meses. Esse fator mantém elevada a volatilidade do mercado e adiciona risco ao balanço global de oferta. A expectativa é de que o mercado permaneça ajustando posições entre um cenário de curto prazo pressionado pela disponibilidade de açúcar e uma perspectiva potencialmente mais restrita para 2027. Os agentes seguem monitorando o equilíbrio entre a pressão de venda das usinas brasileiras e a possibilidade de uma temporada global com menor folga de oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.