14/Jul/2026
A Copersucar pretende se tornar a principal fornecedora de etanol do Brasil para a navegação internacional e aposta que sua estrutura logística e comercial já consolidada permitirá ocupar posição de destaque nesse novo mercado. Após participar do primeiro abastecimento de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol no País, realizado no Porto de Santos (SP), a empresa avaliou que já reúne os principais ativos necessários para conectar produtores, operadores logísticos, fornecedores de bunker e armadores. "O nosso objetivo é ser o principal supridor de etanol do Brasil para navegação internacional", afirmou o presidente da Copersucar, Tomás Manzano. Segundo o executivo, a companhia não pretende atuar apenas como vendedora de combustível.
O objetivo é coordenar toda a cadeia necessária para abastecer navios, desde a produção do etanol até a entrega às embarcações. "Nosso negócio não vai ser um simples fornecimento de etanol. O papel da Copersucar será coordenar produção, logística, abastecimento e carregamento dos navios para fazer esse mercado acontecer", disse. Manzano afirmou que a empresa larga em posição favorável porque já opera exatamente essa cadeia no mercado tradicional de etanol. A Copersucar reúne produção de usinas associadas, estrutura de comercialização internacional, participação na Logum - sistema dutoviário de transporte de etanol, terminais de armazenagem no Brasil e nos Estados Unidos e a Eco-Energy, subsidiária que atua no mercado norte-americano.
"Colocar etanol em diferentes destinos ao redor do mundo já faz parte do nosso negócio. Agora vamos fazer isso também para atender a navegação", afirmou. Na avaliação do executivo, essa estrutura reduz uma das principais barreiras para o desenvolvimento do mercado. Segundo ele, diferentemente de outros combustíveis de baixo carbono, como hidrogênio, amônia e metanol, o etanol poderá aproveitar boa parte da infraestrutura já existente para movimentação de combustíveis líquidos. "A gente já exporta etanol. Grande parte da infraestrutura já existe. O etanol vai aproveitar essa estrutura para construir os corredores verdes", afirmou. Os "corredores verdes", explicou Manzano, deverão conectar rotas marítimas a portos capazes de abastecer embarcações regularmente com etanol.
A primeira operação comercial, realizada com a armadora CMA CGM, servirá para avaliar parâmetros técnicos, como autonomia e eficiência do combustível, antes da expansão do modelo. Segundo o executivo, atualmente cerca de 70 navios no mundo já podem operar com etanol ou metanol, e entre 300 e 400 novas embarcações com essa tecnologia deverão ser entregues nos próximos anos. À medida que essa frota crescer, a expectativa é de expansão gradual dos investimentos em armazenagem e logística portuária. Além da infraestrutura, Manzano avaliou que o etanol reúne a melhor relação entre custo e benefício entre as alternativas para descarbonizar o transporte marítimo. Embora ainda seja mais caro que o bunker fóssil, a redução de aproximadamente 70% das emissões de gases de efeito estufa e a geração de créditos de carbono tornam a alternativa competitiva, segundo ele. Fonte: Broadcast Agro.