13/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão de sexta-feira (10/07) na Bolsa de Nova York em queda, rompendo a marca de 15,00 centavos de dólar por libra-peso, nível que vinha servindo como suporte ao mercado durante a semana passada. O contrato com vencimento em outubro, referência de maior liquidez, recuou 24 pontos, ou 1,59%, e fechou a 14,88 centavos de dólar por libra-peso, renovando as mínimas em aproximadamente dois meses. O movimento foi influenciado pela redução das preocupações com a oferta asiática, pela queda dos preços do petróleo e por sinais de enfraquecimento da demanda global, fatores que estimularam liquidação de posições por parte dos fundos de investimento. Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que o déficit das chuvas de monção diminuiu para 15% abaixo da média histórica até 8 de julho, após atingir 42% no fim de junho, reduzindo as preocupações imediatas com perdas na produção do segundo maior produtor mundial.
No mercado de energia, a desvalorização do petróleo também pressionou as cotações do açúcar. O petróleo WTI encerrou em queda de 0,81%, a US$ 76,30 por barril, refletindo os desdobramentos do acordo de paz no Oriente Médio. A redução dos preços do petróleo diminui a competitividade do etanol, favorecendo o direcionamento de maior volume de cana para a produção de açúcar pelas usinas brasileiras. Do lado da demanda, avaliações da Hedgepoint Global Markets indicam que a China reduziu a necessidade de novas compras após antecipar importações, enquanto a Indonésia diminuiu em 92,5% as aquisições de açúcar brasileiro no primeiro semestre, sinalizando menor ritmo das importações globais. Os fundamentos da oferta permanecem sustentados pela safra do Centro-Sul do Brasil. A Hedgepoint mantém projeção de moagem de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produção de 39,9 milhões de toneladas de açúcar.
O mercado também segue incorporando os dados da Unica, que apontaram moagem acumulada de aproximadamente 145 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até o fim de maio, volume 16% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. A oferta elevada de etanol, com estoques 54,6% superiores aos de um ano antes e produção recorde estimada pela Datagro em 38,7 bilhões de litros na safra 2026/27, mantém o biocombustível competitivo frente à gasolina em nove Estados, limitando uma ampliação ainda maior da participação do açúcar no mix industrial. Apesar da pressão baixista, as cotações continuam encontrando suporte nas perspectivas para o balanço global de longo prazo e nos riscos climáticos. A Hedgepoint Global Markets reduziu sua estimativa de superávit do mercado mundial de açúcar de cerca de 4 milhões para 1,8 milhão de toneladas, em função de revisões para baixo na produção da Tailândia, União Europeia, México e países da América Central.
Outras instituições também projetam um mercado global mais ajustado em 2026/27. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 262 mil toneladas, a StoneX projeta déficit de 550 mil toneladas, o Itaú BBA prevê déficit de 700 mil toneladas e a Czarnikow calcula déficit de 100 mil toneladas, considerando produção de 39,5 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul do Brasil e mix açucareiro de 47%, favorecido pela maior competitividade do etanol. As perspectivas climáticas permanecem como fator de atenção. Projeções do Centro de Previsão Climática (CPC) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos indicam 67% de probabilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, cenário que pode aumentar os riscos para a produção agrícola no Hemisfério Norte. Na Índia, autoridades meteorológicas alertam que a temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos.