10/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta quinta-feira (09/07) praticamente estáveis na Bolsa de Nova York, interrompendo o movimento de realização de lucros observado no início do pregão. O contrato com vencimento em outubro, referência do mercado, avançou 0,07% ou 1%, e fechou a 15,12 centavos de dólar por libra-peso. O desempenho foi sustentado principalmente pela valorização do Real frente ao dólar e pelo aumento das preocupações com a oferta global de açúcar no médio e longo prazos. A moeda norte-americana recuou 0,54% no mercado doméstico, para R$ 5,14, menor nível em aproximadamente três semanas, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras e diminuindo o incentivo para novas fixações de venda por parte dos produtores.
O mercado também segue monitorando os riscos climáticos no Hemisfério Norte. Apesar da recuperação recente das monções na Índia, autoridades meteorológicas do país alertam para a possibilidade de a temporada registrar o menor volume de chuvas dos últimos 11 anos, elevando as preocupações quanto ao potencial produtivo da cana-de-açúcar no segundo maior produtor mundial. No Estado de Maharashtra, restrições ao uso de água para irrigação reforçam esse cenário de incerteza. As expectativas em torno do fortalecimento do fenômeno El Niño também sustentam a perspectiva de maior aperto no balanço global da safra 2026/27. Projeções de consultorias e instituições do setor indicam déficits que variam entre 100 mil toneladas e cerca de 700 mil toneladas, refletindo riscos de redução da produção em importantes fornecedores, como Tailândia e países da América Central.
Nesse contexto, a Czarnikow revisou para baixo sua estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil para 39,5 milhões de toneladas, considerando um mix açucareiro de 47%. Apesar desse ambiente mais favorável aos preços no médio prazo, fatores de curto prazo continuam limitando uma valorização mais expressiva das cotações. A melhora das condições climáticas na Índia reduziu parte das preocupações imediatas com a safra, enquanto a ampla disponibilidade de açúcar no mercado internacional segue pressionando o balanço de oferta. No Brasil, o avanço da moagem de cana no Centro-Sul reforça essa percepção, com processamento acumulado de aproximadamente 145 milhões de toneladas até o fim de maio, volume 16% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A elevada oferta de etanol também contribui para conter uma migração mais intensa da produção para o açúcar. Os estoques do biocombustível permanecem significativamente superiores aos do ano anterior e a produção brasileira é projetada em nível recorde de 38,7 bilhões de litros na safra 2026/27. No mercado internacional, a disponibilidade também é reforçada pelas exportações da Tailândia e pela expectativa de superávit global de 2,2 milhões de toneladas na temporada 2025/26. Do lado da demanda, a antecipação de compras pela China e a redução das importações da Indonésia diminuem o ritmo das aquisições internacionais. No mercado de energia, a queda de 2,28% das cotações do petróleo WTI, para US$ 78,02 por barril, tende a reduzir a competitividade do etanol em relação à gasolina, fator que pode estimular maior direcionamento de cana-de-açúcar para a produção de açúcar pelas usinas brasileiras nos próximos meses.