10/Jul/2026
A Hedgepoint Global Markets reduziu sua projeção de superávit do fluxo comercial global de açúcar para 1,8 milhão de toneladas, ante estimativa anterior próxima de 4 milhões de toneladas, diante da deterioração das perspectivas de produção no Hemisfério Norte. A consultoria passou a adotar uma visão mais construtiva para os preços no médio prazo, mas avalia que a ampla oferta brasileira deve continuar limitando uma valorização mais intensa das cotações. A revisão reflete principalmente cortes nas expectativas de produção em países como Tailândia, União Europeia, México, América Central e Ucrânia, em meio ao aumento dos riscos climáticos associados ao fortalecimento do fenômeno El Niño. Apesar da redução do excedente projetado, o mercado global ainda permanece em situação de superávit, embora em nível inferior ao inicialmente esperado.
A Hedgepoint estima probabilidade superior a 60% de ocorrência de um El Niño forte ou muito forte entre agosto e novembro, elevando os riscos para a safra 2026/27 do Hemisfério Norte. Os principais pontos de atenção estão concentrados em Índia, Tailândia, México, América Central e parte da Europa, regiões que podem enfrentar impactos sobre produtividade e disponibilidade exportável. Na Tailândia, a projeção de produção foi reduzida para cerca de 9 milhões de toneladas, enquanto a Índia também deve registrar uma safra menor. Embora o desenvolvimento das monções tenha apresentado evolução relativamente favorável, estoques mais restritos aumentam a vulnerabilidade do país em caso de intensificação da seca, podendo elevar a necessidade de importações. Na União Europeia, a estimativa de produção foi revisada para 13,8 milhões de toneladas, ante 15,8 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Ondas de calor e déficit hídrico já afetam a produtividade da beterraba, aumentando a possibilidade de maior dependência de importações pelo bloco e reduzindo a disponibilidade mundial de açúcar para exportação. Apesar dos riscos climáticos no Hemisfério Norte, a oferta brasileira mantém o mercado global abastecido no curto prazo. A produção robusta do Centro-Sul segue como principal fator de pressão negativa sobre os preços internacionais, reduzindo o espaço para uma alta mais acentuada das cotações. Para a safra 2026/27 do Centro-Sul brasileiro, as estimativas se mantêm praticamente inalteradas, com moagem de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, ATR médio de 139,5 quilos por tonelada, mix açucareiro de 47,3% e produção de 39,9 milhões de toneladas de açúcar. As chuvas registradas em junho atrasaram o ritmo de colheita e moagem, mas ainda não provocaram alterações relevantes nas projeções de produção.
As precipitações podem contribuir para o desenvolvimento dos canaviais no fim do ciclo, mas dificultam, no curto prazo, uma mudança mais rápida das usinas para um mix mais direcionado ao açúcar. Ainda assim, a relação de preços mais favorável do adoçante em comparação ao etanol pode estimular uma ampliação gradual da produção de açúcar. Para a safra 2027/28, a consultoria projeta um Brasil ainda mais voltado ao açúcar, em resposta à menor disponibilidade esperada em outros países produtores. No mercado futuro, a valorização recente do açúcar foi influenciada pela combinação entre fundamentos de oferta e demanda e fatores macroeconômicos. Dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos reduziram expectativas de aperto monetário pelo Federal Reserve, pressionando o dólar e favorecendo as commodities.
Ao mesmo tempo, as preocupações climáticas no Hemisfério Norte estimularam a cobertura de posições vendidas por fundos de investimento. Apesar do movimento positivo recente, o excesso de oferta no curto prazo continua limitando uma recuperação mais expressiva dos preços. Os contratos futuros encontram resistência técnica próxima de 15,50 centavos de dólar por libra-peso e, em caso de rompimento desse nível, podem buscar patamar próximo de 15,80 centavos de dólar por libra-peso. A consultoria não projeta, neste momento, retorno aos níveis superiores a 20,00 centavos de dólar por libra-peso registrados em anos anteriores. A evolução do El Niño e seus impactos sobre as lavouras do Hemisfério Norte devem permanecer como principais fatores de monitoramento nos próximos meses. A perspectiva é de um mercado mais firme no médio prazo, mas ainda condicionado pela existência de superávit global e pela expectativa de uma produção brasileira elevada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.