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09/Jul/2026

Açúcar: futuros fecham em baixa com ajuste técnico

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em leve baixa na Bolsa de Nova York, em movimento de acomodação técnica após a sequência recente de valorização. O vencimento outubro, referência atual e de maior liquidez, recuou 3 pontos, equivalente a 0,20%, e fechou a 15,11 centavos de dólar por libra-peso. A retração ocorreu após o mercado atingir máximas em oito semanas e testar níveis considerados de sobrecompra, levando agentes a realizar lucros de curto prazo. A recuperação mais consistente das cotações permanece limitada pela ampla disponibilidade de oferta no curto prazo e por sinais divergentes sobre a demanda internacional. O mercado segue acompanhando o avanço da safra brasileira.

A moagem acumulada de cana-de-açúcar no Centro-Sul alcançou cerca de 145 milhões de toneladas até o fim de maio, volume 16% superior ao registrado em igual período do ciclo anterior, conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). A elevada disponibilidade de etanol no mercado doméstico também reduz o potencial de expansão do mix açucareiro. Os estoques do biocombustível estão 54,6% acima do registrado no mesmo período do ano anterior, enquanto a Datagro projeta produção recorde de 38,7 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. A competitividade do etanol hidratado frente à gasolina em nove estados contribui para manter maior direcionamento de cana-de-açúcar ao biocombustível.

No mercado internacional, a oferta de curto prazo permanece pressionada pelas exportações da Tailândia e pela estimativa da Organização Internacional do Açúcar (ISO) de superavit global de 2,20 milhões de toneladas na safra 2025/26. O índice dólar (DXY) avançou 0,07%, para 101,023 pontos, exercendo influência negativa adicional sobre as commodities agrícolas negociadas em dólar. Apesar da pressão baixista, os preços encontraram sustentação em fatores ligados ao balanço global de médio e longo prazo, aos riscos climáticos e à valorização do petróleo. O petróleo WTI subiu 6,54%, encerrando a sessão a US$ 74,16 por barril, em meio ao aumento da volatilidade no mercado internacional.

A alta da commodity energética melhora a competitividade relativa do etanol e pode estimular usinas globais a ampliarem o direcionamento de matéria-prima para a produção de biocombustíveis, reduzindo a disponibilidade de açúcar no médio prazo. No cenário climático, a Índia reduziu o déficit acumulado de chuvas com o avanço das monções, mas o Ministério de Ciências da Terra alerta que a temporada pode ser a mais fraca em 11 anos. Em Maharashtra, principal Estado produtor de cana, houve restrições ao uso de água para irrigação dos canaviais. Na Tailândia, a seca ameaça o desenvolvimento das lavouras, com a StoneX projetando redução de 1,20 milhão de toneladas na produção local.

Na União Europeia, ondas de calor aumentam os riscos para as plantações de beterraba. As perspectivas para a safra global 2026/27 permanecem sustentadas pela possibilidade de déficit de oferta com a influência do fenômeno El Niño. A NOAA e a Agência Meteorológica do Japão indicam probabilidade de 67% de ocorrência de El Niño de forte intensidade. As estimativas apontam saldo negativo de 700 mil toneladas pelo Itaú BBA, 550 mil toneladas pela StoneX, 262 mil toneladas pela ISO e 100 mil toneladas pela Czarnikow. A projeção da Czarnikow considera redução da produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro para 39,50 milhões de toneladas e participação do açúcar no mix industrial de 47%, diante da maior concorrência do etanol.