ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

09/Jul/2026

Etanol: setor dos EUA reforça pressão contra Brasil

A Associação Nacional dos Produtores de Milho dos Estados Unidos (NCGA) apresentou ao governo norte-americano um posicionamento no âmbito da investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio, reforçando o pedido de adoção de uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro. A entidade argumenta que os produtores brasileiros possuem vantagem competitiva em função dos menores custos de produção, especialmente com sementes e defensivos agrícolas, e defende medidas para reduzir o que considera distorções concorrenciais enfrentadas pelos agricultores norte-americanos. Como parte do processo, a NCGA divulgou estudo elaborado pela consultoria Kynetec comparando os custos de produção de milho e soja no Brasil e nos Estados Unidos entre 2023 e 2025. O levantamento aponta que produtores norte-americanos pagaram, em média, 68% mais por sementes de milho do que os brasileiros.

Em defensivos, alguns fungicidas apresentaram preços superiores ao dobro dos praticados no Brasil, enquanto herbicidas registraram diferenças próximas de 100% em diversas comparações e inseticidas destinados ao milho apresentaram custo médio 87% superior nos Estados Unidos. Segundo o estudo, essas diferenças permanecem mesmo após ajustes cambiais e de poder de compra, refletindo principalmente a estrutura dos mercados de insumos, a maior participação de produtos genéricos e ingredientes ativos de menor custo no Brasil, além de diferenças regulatórias entre os dois países. A NCGA afirma que os elevados custos de produção comprometem a rentabilidade da agricultura norte-americana, que poderá registrar o quarto ano consecutivo de prejuízos para os produtores de milho. A entidade avalia que o aumento da competitividade brasileira também é favorecido pelos avanços na infraestrutura logística do País.

No documento encaminhado ao governo dos Estados Unidos, a associação voltou a criticar as restrições impostas pelo Brasil às importações de etanol norte-americano e defendeu que os diferenciais de custos sejam considerados na investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Além da tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro, a NCGA propõe maior transparência na formação dos preços de sementes e defensivos, ampliação da concorrência no mercado de insumos e alterações nas regras de aplicação de medidas antidumping e compensatórias, com o objetivo de reduzir os custos enfrentados pelos produtores norte-americanos. Ainda segundo a NCGA, as exportações de etanol norte-americano para o mercado brasileiro sofreram forte retração após o restabelecimento, pelo Brasil, da alíquota de 18% incidente sobre o biocombustível importado dos Estados Unidos.

Em 2018, o Brasil figurava como o principal destino das exportações norte-americanas de etanol. A associação também sustenta que as regras do programa brasileiro de biocombustíveis impõem restrições aos produtores dos Estados Unidos ao dificultar aprovações operacionais. Em contrapartida, argumenta que o programa norte-americano Renewable Fuel Standard (RFS) permite a participação de empresas brasileiras sem restrições equivalentes. Outro ponto levantado pela NCGA refere-se aos critérios ambientais da produção brasileira de etanol. A entidade questiona a disponibilidade de informações relacionadas à conversão de áreas de pastagens e florestas tropicais para atividades agrícolas, apontando esse aspecto como um fator de preocupação na avaliação da sustentabilidade do produto brasileiro. A posição da associação do setor de milho diverge da defendida por empresas norte-americanas dos segmentos de alimentos, bebidas e tecnologia.

Companhias como Coca-Cola, Nestlé e Tesla encaminharam manifestações ao USTR solicitando exceções tarifárias para insumos importados do Brasil, sob a avaliação de que a aplicação de tarifas poderá elevar custos operacionais para a indústria dos Estados Unidos. Paralelamente, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores mantêm negociações técnicas com as autoridades norte-americanas na tentativa de reduzir os impactos comerciais das medidas em discussão. Além da tarifa de 25% em análise, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou para uma investigação paralela relacionada à utilização de trabalho forçado. Caso resulte em novas sanções, a medida poderá acrescentar mais 12,5% de tarifa, elevando a carga tarifária potencial para 37,5% sobre os produtos alcançados pelas investigações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.