08/Jul/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em baixa nesta terça-feira (07/07) na Bolsa de Nova York, interrompendo o movimento de recuperação observado na sessão anterior. O contrato outubro, referência e de maior liquidez, recuou 12 pontos, ou 0,79%, e fechou a 15,10 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi motivado principalmente por realização de lucros e por uma correção técnica após o mercado atingir condições de sobrecompra. Depois de superar a barreira psicológica de 15,00 centavos de dólar por libra-peso e alcançar o maior nível em oito semanas, indicadores técnicos passaram a sinalizar exaustão compradora, estimulando liquidações automáticas de posições por parte dos fundos de investimento.
Os fundamentos de curto prazo continuam indicando ampla disponibilidade de oferta, reforçando a pressão sobre as cotações. O mercado segue repercutindo os dados mais recentes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que apontaram moagem acumulada de 144,71 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul, alta anual de 15,81%, produção de açúcar de 2,475 milhões de toneladas e ATR médio de 112,58 quilos por tonelada. Para a safra completa, a Hedgepoint Global Markets projeta processamento de 635 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, enquanto o Bradesco estima 627,30 milhões de toneladas. No mercado internacional, a oferta também permanece favorecida pelas exportações da Tailândia e pela projeção da Organização Internacional do Açúcar (ISO) de superávit global de 2,2 milhões de toneladas na temporada 2025/26.
Pelo lado da demanda, a Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) informou que as importações chinesas de açúcar recuaram 36,8% em maio, para 210 mil toneladas, embora no acumulado do ano apresentem crescimento de 39,9%. Apesar da realização de lucros, fatores climáticos limitaram perdas mais acentuadas. Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que as chuvas das monções acumulavam déficit de 20% em relação à média histórica até 6 de julho, levando o Estado de Maharashtra a restringir o uso de água para irrigação dos canaviais. O Ministério das Ciências da Terra do país alertou para a possibilidade de a atual temporada de monções ser a mais fraca dos últimos 11 anos no segundo maior produtor mundial de açúcar.
Além disso, a consolidação do fenômeno El Niño, confirmada pela NOAA e pela Agência Meteorológica do Japão, com probabilidade de 67% de atingir forte intensidade, mantém elevada a preocupação com a próxima safra. Segundo avaliação do Itaú BBA, o fenômeno poderá provocar chuvas atípicas e comprometer a janela de moagem no Brasil, embora a instituição tenha elevado sua estimativa de processamento para 646,20 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, a recuperação dos preços em Reais voltou a posicionar as cotações acima do custo médio de produção das usinas, reduzindo o pessimismo observado anteriormente no mercado. As projeções para a temporada 2026/27 continuam indicando déficit global de oferta, ainda que com magnitudes distintas entre as consultorias.
O Itaú BBA estima déficit de 700 mil toneladas, a StoneX projeta 550 mil toneladas, a ISO prevê 262 mil toneladas e a Czarnikow calcula déficit de 100 mil toneladas, considerando produção de açúcar de 39,50 milhões de toneladas no Centro-Sul e mix açucareiro de 47%, em razão da maior competitividade do etanol. O mercado também acompanha o posicionamento dos fundos de investimento, que ainda mantêm elevado volume de posições vendidas e podem ampliar a recomposição caso os preços da energia avancem. No ambiente macroeconômico, o índice dólar (DXY) avançou 0,14%, para 100,853 pontos. No Brasil, o dólar comercial subiu 0,33%, para R$ 5,1320, ampliando a competitividade das exportações brasileiras. No setor de energia, o petróleo WTI registrou alta de 3,00%, para US$ 71,99 por barril, permanecendo próximo dos níveis observados antes da escalada das tensões no Oriente Médio e mantendo estímulo para que as usinas brasileiras priorizem a produção de açúcar.