08/Jul/2026
A StoneX projeta produção recorde de etanol no Centro-Sul na safra 2026/27, com oferta elevada mantendo os preços do biocombustível pressionados no segundo semestre de 2026, mesmo diante de fatores de estímulo à demanda, como a possível elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) e a maior competitividade do hidratado no varejo. A consultoria estima produção total de 38 bilhões de litros de etanol no ciclo, alta de 12,7% em relação à temporada anterior. Desse volume, 24,2 bilhões de litros correspondem ao etanol hidratado, crescimento de 16,3% na comparação anual. A expectativa é de manutenção dos preços do hidratado em níveis historicamente baixos durante o período de maior oferta da safra.
O aumento da disponibilidade reflete o maior direcionamento das usinas para a produção de biocombustíveis, movimento considerado atípico para este momento do ciclo, além da expansão acelerada do etanol de milho. Até o fim de maio, a participação do etanol no mix de produção do Centro-Sul alcançou 58,6%, ante 49,9% no mesmo período do ano anterior, contribuindo para uma produção acumulada de 7,5 milhões de metros cúbicos, alta de 31,5% em relação ao ciclo anterior. A produção de etanol de milho deve atingir 11 bilhões de litros em 2026/27, aumento de 21,1% frente à safra anterior, elevando a participação da matéria-prima para 29,3% da produção total.
A expansão do milho altera a estrutura da oferta e amplia a disponibilidade do biocombustível durante a entressafra. Como o custo de produção do etanol de milho é estimado entre 20% e 30% inferior ao do etanol de cana no Centro-Sul, a nova capacidade produtiva reduz o piso de sustentação dos preços e permite a manutenção de cotações mais baixas por período prolongado. Apesar da ampla oferta, a demanda pelo etanol hidratado deve ganhar suporte pela maior competitividade frente à gasolina. Em São Paulo, a relação entre os preços dos dois combustíveis permanece abaixo da referência de 70% desde meados de março e atingiu mínima de 60,1%, influenciada pela queda de 13,6% no preço do hidratado nas bombas e pela alta de 2,9% da gasolina C entre março e maio.
Com esse cenário, o etanol hidratado alcançará participação próxima de 26% no mercado nacional durante o pico da safra, cerca de 4% acima da média observada nos últimos cinco anos. A implementação da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina também deve contribuir para elevar a demanda. A estimativa é de incremento de aproximadamente 500 milhões de litros no consumo de anidro, oferecendo suporte indireto ao mercado de hidratado à medida que parte da produção seja destinada ao combustível misturado à gasolina. Entretanto, a medida não deve eliminar o excedente de curto prazo, diante da proximidade do pico da safra de cana-de-açúcar e do avanço da produção de etanol de milho.
Outro fator monitorado pelo mercado é uma possível retirada dos subsídios à gasolina A, medida que poderá ser avaliada pelo governo após julho. Caso o benefício seja encerrado, a recomposição dos preços da gasolina tende a aumentar a competitividade do etanol hidratado nas bombas. Ainda assim, a recuperação das cotações deve ocorrer de forma limitada. A expectativa é de alguma reação dos preços após o pico da safra, quando a disponibilidade do produto diminuir, mas em intensidade inferior à observada em ciclos anteriores. A oferta recorde, especialmente com a maior participação do etanol de milho, deve restringir a magnitude das altas ao longo do ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.