ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

07/Jul/2026

Açúcar: preços estão em baixa no mercado interno

Em São Paulo, as cotações do açúcar cristal branco mostraram leve recuperação em alguns dias da semana passada no mercado spot, reflexo de uma combinação de fatores de curto prazo: chuvas que paralisaram as atividades e sinais de recuperação do mercado internacional. Ainda assim, a média semanal registrou queda frente à anterior, o que sugere que a incerteza quanto à tendência dos preços no mercado à vista permanece. Essa indefinição aparece também nos preços do etanol, que recuaram frente às semanas anteriores, mas seguem competitivos em relação à gasolina, especialmente em estados como São Paulo. A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, cor Icumsa de 130 a 180, é de R$ 92,21 por saca de 50 Kg, baixa de 0,45% nos últimos sete dias (R$ 92,63 por saca de 50 Kg). Segundo dados da S&P Global Energy, a produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro somou 2,21 milhões de toneladas na primeira quinzena de junho, retração de 9,5% frente ao mesmo período da safra anterior.

A moagem total foi estimada em 38,35 milhões de toneladas, que mostra recuo de 1,3% na mesma comparação. No que se refere à área plantada, levantamento da Serasa Experian indicou crescimento de 3,1% em 2026/27, somando 9,17 milhões de hectares. No campo climático, o primeiro boletim do Painel El Niño 2026/27, elaborado pelo Inmet e outros órgãos federais, confirmou a configuração do fenômeno em junho e apontou alta probabilidade de maior intensidade entre o segundo semestre e o início de 2027, com chuvas abaixo da média no Centro-Norte do País e acima do normal na Região Sul. Para a Região Centro-Oeste, o cenário de menor volume de precipitação tende a favorecer a colheita da cana no curto prazo, embora temperaturas acima da média possam intensificar a deficiência hídrica nos próximos meses.

Entre as duas últimas semanas, o contrato nº 11 do açúcar demerara negociado na Bolsa de Nova York consolidou uma trajetória francamente altista. Com a expiração do contrato Julho/26 no fim de junho, Outubro/26 passou a ser o primeiro vencimento. O contrato está cotado a 14,85 centavos de dólar por libra-peso, alta de 2,34% nos últimos sete dias. O motor da aceleração vem especialmente de fundamentos climáticos. Na Índia, as chuvas de monções devem ser as mais fracas em 11 anos, o que pode reduzir a produção de 3 a 8 milhões de toneladas, segundo dados do Ministério de Ciências da Terra da Índia. No Brasil, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar do Centro-Sul foi de 6,838 milhões de toneladas no acumulado da safra até maio (-2%), mix deslocado ao etanol (58,38% ante 49,91%) e moagem em recuo devido às recentes chuvas.

Contra esses fatores altistas operam amortecedores: os conflitos no Estreito de Ormuz reduzindo fretes e seguros; o petróleo em baixa, enfraquecendo o incentivo ao etanol e tornando provável que as usinas maximizem a produção de açúcar; e a demanda global ainda morna. A síntese é a de um mercado que migrou de superávit para déficit incipiente: projeções de 262 mil (OIA), 550 mil (StoneX) e apenas 100 mil (Covrig), mas cujo desfecho permanece condicionado: se o petróleo seguir em baixa e reorientar o Centro-Sul brasileiro de volta ao açúcar, o próprio fundamento que hoje sustenta os preços poderá esvaziar-se na segunda metade da safra. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 11,34 por saca de 5 Kg, queda de 0,78% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,53 por saca de 1 Kg, diminuição de 1,04% no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.