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07/Jul/2026

Açúcar: Real forte e clima na Ásia elevam futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta segunda-feira (06/07) em alta na Bolsa de Nova York, revertendo a realização de lucros observada no fim da semana passada. O contrato com vencimento em outubro, referência do mercado, avançou 37 pontos, ou 2,49%, e fechou a 15,22 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi sustentado pela valorização do Real frente ao dólar e por preocupações com as condições climáticas na Ásia. A valorização da moeda brasileira reduz a competitividade das exportações e desestimula a fixação de vendas pelos produtores. Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que as chuvas das monções apresentavam déficit de 20% em relação à média histórica até 6 de julho.

O Ministério das Ciências da Terra da Índia alertou que a atual temporada de monções, entre junho e setembro, poderá ser a mais fraca em 11 anos, elevando os riscos para a produtividade dos canaviais no segundo maior produtor mundial. No estado de Maharashtra, houve restrições ao uso de água para irrigação. As preocupações com a oferta global também foram reforçadas pela consolidação do fenômeno El Niño no Pacífico Equatorial. As projeções apontam déficit mundial de açúcar para a safra 2026/27, estimado em 262 mil toneladas pela ISO, 550 mil toneladas pela StoneX, cerca de 700 mil toneladas pelo Itaú BBA e 100 mil toneladas pela Czarnikow. A consultoria também reduziu sua estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil para 39,5 milhões de toneladas, com mix açucareiro de 47%. Apesar da alta, o avanço das cotações foi limitado por indicadores de curto prazo.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostraram que o Brasil exportou 3,13 milhões de toneladas de açúcares e melaços em junho, volume 7,16% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. A receita cambial caiu 24,26%, para US$ 1,093 bilhão, refletindo preços médios mais baixos. Além disso, o índice internacional de preços do açúcar da FAO recuou 5,7% em junho ante maio, registrando a maior queda entre as commodities alimentares monitoradas, influenciado pela retração dos preços do etanol no mercado brasileiro. No Brasil, a moagem acumulada de cana-de-açúcar no Centro-Sul alcançou 144,71 milhões de toneladas, alta de 15,81% na safra, embora a segunda quinzena de maio tenha registrado processamento de 41,55 milhões de toneladas, queda de 13,08% na comparação anual. Para a temporada 2026/27, a Hedgepoint Global Markets projeta moagem de 635 milhões de toneladas, enquanto o Bradesco estima 627,3 milhões de toneladas.