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07/Jul/2026

Gasolina: subsídio e política de preços da Petrobras

A retirada gradual da subvenção federal sobre os preços dos combustíveis reacendeu o debate em torno da política de preços da gasolina da Petrobras. O benefício, de R$ 0,44 por litro, havia sido anunciado em maio com validade de dois meses e permitiu que um reajuste de R$ 0,48 por litro promovido pela estatal tivesse impacto reduzido de apenas R$ 0,04 para as distribuidoras, em um período marcado pela alta do petróleo provocada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã. Com o encerramento do subsídio, o mercado passou a avaliar se a Petrobras seguirá estratégia semelhante à adotada no diesel, cujo preço foi reduzido após o anúncio do fim do benefício. A presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou recentemente que ainda é cedo para uma redução da gasolina, embora tenha indicado que a possibilidade poderá ser analisada. Segundo avaliação da StoneX, uma eventual redução dos preços da gasolina pela Petrobras ampliaria o diferencial em relação ao combustível importado, reduzindo a competitividade das importações.

A decisão também poderá ser influenciada pelo cenário político e eleitoral, tornando o tema um dos principais focos de atenção do mercado nas próximas semanas. Apesar da queda recente das cotações internacionais do petróleo, os preços da gasolina importada recuam em ritmo mais lento. O comportamento é explicado pelos baixos estoques globais do derivado, pela elevada demanda durante o período de férias de verão nos Estados Unidos e na Europa e pela desvalorização do real, fatores que mantêm o produto importado acima dos preços praticados pela Petrobras. Na mesma linha, o UBS BB avalia que existe pouco espaço econômico para cortes nos preços da gasolina. De acordo com o banco, mesmo sem o subsídio, os preços da Petrobras permanecem abaixo da paridade internacional de importação. As estimativas indicam defasagem de aproximadamente 19%, ou R$ 0,72 por litro, em Paulínia (SP), e de 17%, ou R$ 1,38 por litro, em Itaqui (MA).

Considerando o subsídio de R$ 0,44 por litro, a diferença ainda permanece negativa em cerca de 8% e 5%, respectivamente. A Ativa Investimentos também considera possível uma redução dos preços, mas avalia que ela não se justifica do ponto de vista econômico. Os elevados ‘crack spreads’ (diferença entre o preço dos derivados e do petróleo bruto) refletem oferta restrita de combustíveis, gargalos logísticos e forte demanda internacional, tornando uma redução dos preços uma renúncia de margem para a Petrobras. Na avaliação do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás Natural (Ineep), a retirada da subvenção ocorre em um momento de arrefecimento das tensões geopolíticas e de queda dos preços internacionais do petróleo, o que tende a reduzir seus impactos sobre o consumidor. O instituto observa ainda que cerca de 90% da demanda brasileira de gasolina é atendida pela produção doméstica, predominantemente das refinarias da Petrobras, reduzindo a exposição do mercado interno às oscilações internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.