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03/Jul/2026

Açúcar: futuros recuam acompanhando petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão em queda na Bolsa de Nova York, devolvendo parte dos ganhos acumulados ao longo da semana. O vencimento outubro recuou 14 pontos (0,93%), encerrando a 14,85 centavos de dólar por libra-peso, em um movimento influenciado por realização de lucros e pela queda dos preços do petróleo. A retração do petróleo exerceu pressão sobre o mercado ao reduzir a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis, o que tende a aumentar o direcionamento de cana para a produção de açúcar em diferentes origens, elevando a oferta global do açúcar. Apesar do viés baixista, fatores climáticos continuam limitando perdas mais intensas. O mercado acompanha o desempenho das monções na Índia, onde o déficit de chuvas segue elevado em um período crítico para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.

As precipitações acumuladas até 1º de julho estavam 38% abaixo da média histórica, com autoridades locais alertando para a possibilidade de a atual temporada ser a mais fraca em 11 anos. As condições climáticas adversas também são monitoradas em outros países produtores. A Hedgepoint Global Markets avalia que um eventual fortalecimento do El Niño pode afetar a produtividade na Tailândia e em países da América Central na safra 2026/27, com potencial redução da oferta exportável dessas regiões. No Brasil, a perspectiva é de condições relativamente mais favoráveis. A cana do Centro-Sul já teria superado a fase mais sensível de desenvolvimento vegetativo, o que reduz a exposição a impactos climáticos relevantes. A Hedgepoint projeta moagem próxima de 635 milhões de toneladas na atual temporada, mantendo o País como principal fornecedor global de açúcar.

As projeções do Bradesco indicam moagem de 627,3 milhões de toneladas, com potencial de atingir até 640 milhões de toneladas em cenário climático favorável. Ainda assim, a avaliação é de que a produção brasileira não deve compensar eventuais perdas em outros grandes produtores, mantendo a perspectiva de déficit global de açúcar na safra 2026/27. No mercado interno, a estratégia das usinas brasileiras segue como fator de ajuste da oferta. Mesmo com a perspectiva de safra elevada, a maior rentabilidade do etanol limita a expansão do mix açucareiro. O Bradesco projeta participação de açúcar no mix em torno de 46,8% nesta temporada, abaixo do ciclo anterior, enquanto dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicam produção acumulada de açúcar inferior à do mesmo período do ano passado.