03/Jul/2026
Segundo o Itaú BBA, a oferta recorde de etanol prevista para a safra 2026/27 deverá aumentar a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina. A expectativa é que preços mais competitivos sejam necessários para estimular o consumo e evitar acúmulo de estoques ao final da temporada. O banco projeta paridade média do etanol hidratado equivalente a 63% do preço da gasolina nos postos do estado de São Paulo, abaixo dos 68% registrados na safra 2025/26. Para impedir crescimento dos estoques, o consumo mensal de etanol hidratado carburante pelas distribuidoras deverá superar 2 bilhões de litros até dezembro.
Até maio, esse volume permaneceu em 1,8 bilhão de litros pelo terceiro mês consecutivo. A pressão sobre as cotações decorre da combinação entre maior oferta de cana-de-açúcar, expansão da produção de etanol de milho, disponibilidade elevada de etanol dos Estados Unidos no mercado internacional e consumo doméstico ainda abaixo do potencial em um ambiente de juros elevados. A produção total é estimada em 38,4 bilhões de litros de etanol no Centro-Sul em 2026/27, ante 33,7 bilhões de litros na safra anterior. Desse total, 10,3 bilhões de litros deverão ser provenientes do processamento de milho. Na região Norte-Nordeste, a produção de etanol de milho é projetada em 1,3 bilhão de litros.
Esse crescimento reduzirá a necessidade de transferência de etanol produzido no Centro-Sul para abastecimento da região, ampliando a disponibilidade do biocombustível no mercado doméstico. Uma eventual queda adicional dos preços internos, combinada ao comportamento da taxa de câmbio, poderá abrir oportunidades para arbitragem de exportação de etanol para a Europa. Entretanto, esse movimento dependerá da relação entre os preços praticados no mercado brasileiro e no mercado internacional. No campo regulatório, fatores que poderão influenciar o comportamento do mercado ao longo da safra.
Entre eles estão a política de preços da gasolina no mercado interno, as decisões da Petrobras e do governo federal e a definição do cronograma de implementação do E32, que prevê o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. No mercado de Créditos de Descarbonização (CBios), há novo fator de pressão após a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), em 27 de maio, de suspender as sanções aplicadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) às distribuidoras inadimplentes com as metas de descarbonização até 2024. Nesse cenário, a cotação do CBio recuou de R$ 36,75 em janeiro para R$ 20,00 agora, patamar que deverá ser mantido até dezembro. Após a dedução de custos e tributos, o valor líquido recebido pelos emissores permanece inferior a R$ 15,00 por CBio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.