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02/Jul/2026

Açúcar: clima adverso na Índia eleva preços futuros

O mercado futuro de açúcar encerrou esta quarta-feira (1º/07) em alta na Bolsa de Nova York, sustentado pelo agravamento das preocupações com a safra indiana. O contrato com vencimento em outubro, referência do mercado, avançou 1,15% (17 pontos), e fechou a 14,99 centavos de dólar por libra-peso, atingindo o maior nível em aproximadamente sete semanas. O principal fator de suporte foi a deterioração das perspectivas para a produção da Índia, segundo maior produtor mundial da commodity. A persistência de chuvas fracas durante o período de monções elevou as preocupações quanto ao desenvolvimento dos canaviais. Dados do Departamento Meteorológico da Índia indicam que as precipitações acumuladas até 1º de julho estavam 38% abaixo da média histórica.

Além disso, o Ministério das Ciências da Terra do país alertou que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos, aumentando o risco de perdas de produtividade. As incertezas também abrangem outros importantes produtores asiáticos. O Bradesco avalia que o Brasil dificilmente conseguirá compensar eventuais reduções na produção de Índia, Tailândia e União Europeia, projetando novo déficit global de açúcar na safra 2026/27. A atuação do El Niño pode reduzir as chuvas em regiões produtoras indianas e provocar irregularidade nas precipitações na Tailândia, comprometendo a oferta desses países. No Brasil, as perspectivas permanecem mais favoráveis. O Bradesco estima moagem de 627,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul em 2026/27, podendo alcançar até 640 milhões de toneladas caso as condições climáticas permitam o avanço regular da colheita.

A expectativa também é de recuperação do teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), favorecendo a produtividade. Apesar da maior disponibilidade de matéria-prima, a produção de açúcar não deve crescer na mesma proporção. As usinas continuarão priorizando a produção de etanol, em função da maior rentabilidade do biocombustível. A projeção é de que 46,8% da cana seja destinada à fabricação de açúcar na atual safra, porcentual inferior ao registrado no ciclo anterior. Outro fator de sustentação para as cotações foi o posicionamento dos investidores. A elevada posição vendida dos fundos e a proximidade do feriado de 4 de julho nos Estados Unidos reduziram o interesse por novas apostas baixistas. Ainda assim, preços próximos de 15,00 centavos de dólar por libra-peso tendem a estimular vendas por parte das origens produtoras, limitando um movimento mais intenso de valorização no curto prazo.