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02/Jul/2026

Açúcar: El Niño amplia os riscos para oferta global

Segundo a Hedgepoint Global Markets, a possível formação de um novo episódio de El Niño voltou a colocar as condições climáticas no centro das atenções do mercado internacional de açúcar. O fenômeno poderá comprometer a produção em importantes países exportadores do Hemisfério Norte, enquanto o Brasil tende a enfrentar impactos mais limitados, fortalecendo seu papel como principal fornecedor global da commodity. Nos últimos meses, o mercado passou a trabalhar com perspectiva de oferta mais confortável, sustentada pela recuperação parcial da produção na Índia, na Tailândia e em países da América Central, além do bom desempenho da safra brasileira. Esse cenário pressionou as cotações internacionais e reforçou as expectativas de superávit no mercado global. Entretanto, a evolução das condições climáticas poderá alterar esse equilíbrio ao longo da safra 2026/27.

A principal preocupação concentra-se na produção dos países do Hemisfério Norte, cujo ciclo tem início em outubro. Índia e Tailândia poderão registrar redução das chuvas e temperaturas mais elevadas, aumentando o risco de estresse hídrico nos canaviais, com impactos negativos sobre a produtividade e a disponibilidade de açúcar para exportação. A América Central também passou a integrar o foco do mercado. Caso o El Niño se intensifique nos próximos meses, os principais produtores da região poderão enfrentar condições climáticas mais secas, reduzindo o potencial produtivo da cana-de-açúcar e limitando os volumes destinados ao comércio internacional. Para o Brasil, a perspectiva permanece mais favorável. A consultoria avalia que a safra 2026/27 do Centro-Sul deverá sofrer influência limitada, uma vez que a cana-de-açúcar já ultrapassou sua principal fase de desenvolvimento e os efeitos mais intensos do fenômeno costumam concentrar-se na Região Sul, cuja participação na produção nacional de cana é relativamente reduzida.

Mesmo com a possibilidade de chuvas mais intensas provocarem atrasos pontuais na moagem, a expectativa continua positiva para a produção brasileira. A Hedgepoint projeta colheita próxima de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul, mantendo a produção acima de 600 milhões de toneladas pelo quarto ciclo consecutivo. Esse desempenho poderá ampliar ainda mais a relevância do Brasil no abastecimento internacional caso concorrentes registrem perdas de produção. A combinação de condições climáticas relativamente favoráveis no País e de riscos crescentes nas principais origens exportadoras reforça a necessidade de acompanhamento contínuo da evolução do clima e de seus impactos sobre a oferta mundial de açúcar.

A duração do El Niño também será determinante para o comportamento do mercado. Caso o fenômeno permaneça ativo durante parte de 2027, seus efeitos poderão se estender para além da safra 2026/27, influenciando as perspectivas dos ciclos seguintes. Embora um aumento das chuvas na Região Sul do Centro-Sul possa favorecer o desenvolvimento da safra 2027/28, a Hedgepoint considera ainda prematuro projetar tendências para a próxima temporada. Os impactos do El Niño devem ser avaliados em conjunto com os diferentes calendários agrícolas dos principais produtores mundiais, uma vez que as etapas de plantio, desenvolvimento e colheita variam entre as regiões produtoras. Dessa forma, a intensidade e a duração do fenômeno continuarão sendo fatores decisivos para as expectativas de oferta global de açúcar nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.