01/Jul/2026
Segundo projeção do Bradesco, o mercado global de açúcar deve voltar a registrar déficit na safra 2026/27, após um ciclo praticamente equilibrado em 2025/26. A redução da produção em grandes origens asiáticas e na União Europeia tende a superar o impacto da elevada oferta brasileira, enquanto o avanço do El Niño adiciona risco adicional à disponibilidade global, especialmente no Sudeste Asiático. A safra 2025/26 deve encerrar próxima do equilíbrio, com déficit estimado em cerca de 670 mil toneladas. Para 2026/27, o cenário aponta retorno do déficit global, concentrado principalmente nas quedas de produção da Índia, Tailândia e União Europeia.
Embora o Centro-Sul do Brasil mantenha elevado potencial produtivo e contribua para aliviar o balanço global e o fluxo de comércio em 2026, as condições climáticas no Sudeste Asiático representam um risco crescente para a oferta. O desenvolvimento do El Niño pode reduzir a intensidade das chuvas em áreas produtoras, comprometendo a produtividade e a disponibilidade exportável no último trimestre de 2026 e início de 2027. Entre os fatores de atenção, o avanço mais lento das monções asiáticas em comparação a 2025. O Departamento de Meteorologia da Índia projeta queda de cerca de 8% no volume de chuvas, com destaque para Maharashtra, principal região produtora do país.
Apesar do risco de aperto na oferta, a demanda global de açúcar segue em desaceleração estrutural, influenciada por mudanças nos hábitos de consumo e reformulação de produtos em países desenvolvidos. Ainda assim, mercados emergentes mantêm resiliência, limitando quedas mais fortes na demanda total. No curto prazo, o banco projeta manutenção das cotações atuais, com o forte volume brasileiro e a paridade de importação da China, em torno de 15,50 centavos de dólar por libra-peso, sustentando preços entre 14,00 e 16,00 centavos de dólar por libra no próximo trimestre. Em horizonte mais longo, caso se confirmem perdas produtivas no Sudeste Asiático, os preços podem superar 17,00 centavos de dólar por libra-peso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.