01/Jul/2026
Segundo o Bradesco, a demanda por etanol deve permanecer aquecida ao longo da safra 2026/27, sustentada pela competitividade do biocombustível frente à gasolina, enquanto a valorização do açúcar pode reduzir a oferta do produto na segunda metade do ciclo. Projeções indicam manutenção da paridade entre etanol e gasolina em torno de 60% em São Paulo nos próximos meses. O consumo doméstico de etanol tende a se manter elevado até o fim da safra, com o ciclo Otto apresentando crescimento estimado de 3,7%, para 61,7 bilhões de litros. O comportamento da demanda é sustentado pela competitividade relativa do biocombustível, em um ambiente de recuperação gradual do consumo após recuo recente dos preços do hidratado.
A oferta inicial da safra no Centro-Sul soma 7,6 bilhões de litros de etanol, alta de 32% em relação ao mesmo período da safra anterior. O avanço é atribuído à maior destinação de cana ao etanol em relação ao açúcar no início do ciclo e à expansão da produção de etanol de milho. A expectativa é de manutenção de mix ainda favorável ao biocombustível nos próximos meses, em resposta à demanda aquecida. Os preços do etanol hidratado recuaram 28% desde as máximas registradas no fim de fevereiro, o que contribuiu para a retomada gradual do consumo, com aproximação de 2 milhões de metros cúbicos mensais no curto prazo. O movimento tende a reduzir a pressão sobre as margens das usinas, embora o setor ainda seja impactado pela fraqueza das cotações do açúcar.
O cenário de preços indica tendência de estabilidade no curto prazo, com possibilidade de alta a partir de novembro. O comportamento da gasolina aparece como principal variável de risco, com impactos diretos sobre a competitividade do etanol. Em caso de manutenção de preços elevados do petróleo e eventual encerramento de programas de subvenção ao combustível fóssil, há potencial de sustentação adicional para o biocombustível. Por outro lado, queda da gasolina pode pressionar as cotações do etanol e comprometer margens do setor, com possibilidade de preços abaixo do custo de produção em cenários mais adversos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.