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01/Jul/2026

Raízen divulga resultado do 4º trimestre de 2025

A Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 7,334 bilhões no quarto trimestre do ano-safra 2025/26 (1º de janeiro a 31 de março de 2026). O resultado representa aumento de 191,8% em relação ao prejuízo de R$ 2,514 bilhões apurado em igual período da safra anterior. A receita líquida recuou 11,1% na comparação anual, de R$ 57,727 bilhões para R$ 51,329 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 2,884 bilhões no trimestre, alta de 46% ante os R$ 1,976 bilhão registrados um ano antes. Segundo a companhia, a melhora do resultado operacional foi impulsionada pela expansão em todos os segmentos de negócios, com destaque para distribuição de combustíveis Brasil e Argentina, refletindo maior rentabilidade, crescimento dos volumes comercializados e captura de ganhos de eficiência operacional.

Apesar da evolução do Ebitda, o prejuízo líquido foi pressionado pelo aumento das despesas financeiras decorrentes do maior saldo da dívida e da elevação da taxa média do CDI, além do reconhecimento de provisões sem efeito caixa para não realização de determinados ativos e de despesas não recorrentes relacionadas ao início do processo de recuperação extrajudicial, incluindo gastos com assessores financeiros e jurídicos. No acumulado do ano-safra 2025/26, a Raízen apurou prejuízo líquido de R$ 27,135 bilhões, ante perda de R$ 4,177 bilhões na safra anterior. A receita líquida caiu 11,5%, para R$ 225,849 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado recuou 2,3%, para R$ 11,273 bilhões. A dívida líquida da Raízen encerrou o quarto trimestre do ano-safra 2025/26 (1º de janeiro a 31 de março de 2026) em R$ 58,229 bilhões, alta de 69,9% em relação aos R$ 34,264 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. Na comparação com o terceiro trimestre, o endividamento aumentou 5,3%, ante R$ 55,322 bilhões.

Como reflexo do maior endividamento, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, passou de 3,2 vezes para 5,2 vezes na comparação anual. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o indicador recuou levemente de 5,3 vezes para 5,2 vezes, beneficiado pela expansão do Ebitda ajustado dos últimos 12 meses. Segundo a companhia, a implementação do plano de recuperação extrajudicial deverá contribuir para reduzir a alavancagem, preservar a continuidade das operações e estabelecer uma estrutura de capital adequada e sustentável no longo prazo. O plano, protocolado em junho após receber apoio de mais de 80% dos credores, prevê aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, além da conversão de 45% dos créditos reestruturados em participação acionária e do refinanciamento dos 55% restantes por meio de novos títulos de dívida.

A empresa informou ainda que o plano contempla medidas para ampliar a liquidez e reduzir desembolsos financeiros nos próximos anos, incluindo segregação de ativos, avanço da agenda de desinvestimentos e reorganizações societárias. Segundo a administração, essas iniciativas, somadas à simplificação do portfólio, deverão gerar impacto positivo estimado em R$ 12 bilhões na posição financeira da companhia, dos quais cerca de 40% já foram capturados e o restante depende da conclusão da venda dos ativos na Argentina. A Raízen processou 70,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no ano-safra 2025/26, encerrado em março, volume 9,8% inferior ao registrado na temporada anterior, quando a moagem somou 78,2 milhões de toneladas. A companhia atribuiu o desempenho principalmente às condições climáticas adversas ao longo da safra, que reduziram a disponibilidade de matéria-prima e a produtividade agrícola, resultando em uma perda estimada de cerca de 900 mil toneladas de cana-de-açúcar disponíveis para processamento.

Segundo a empresa, a moagem também foi afetada por iniciativas de otimização do portfólio, como a venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana e a hibernação das usinas MB, em novembro de 2024, e Santa Elisa, desde julho de 2025. Desconsiderados esses efeitos, a moagem teria totalizado 69,2 milhões de toneladas, queda de 3,9% em relação ao ano-safra anterior. A produtividade da cana própria (TCH) recuou 5,2%, para 72,9 toneladas por hectare, enquanto a produtividade agrícola caiu 5,8%, para 9,8 toneladas de ATR por hectare. O teor de açúcares totais recuperáveis (ATR) ficou em 134,4 quilos por tonelada de cana-de-açúcar, redução de 1% na comparação anual. A produção de açúcar caiu 5,5%, para 4,824 milhões de toneladas, e a de etanol recuou 17,9%, para 2,576 bilhões de litros. Em contrapartida, a produção de etanol de segunda geração (E2G) mais que dobrou, alcançando 120,2 milhões de litros. O mix de produção da companhia encerrou a safra em 53% para açúcar e 47% para etanol, ante divisão de 50% para cada produto na temporada anterior.

A Raízen informou que as medidas de simplificação do portfólio implementadas ao longo do ano-safra 2025/26 deverão gerar impacto positivo estimado em R$ 12 bilhões sobre sua posição financeira nos próximos anos. Segundo a companhia, cerca de 40% desse efeito já foi capturado, enquanto os 60% restantes dependem da conclusão da venda dos ativos na Argentina. Na mensagem da administração que acompanha o balanço, a empresa afirmou que a readequação do portfólio integra o plano de transformação iniciado em 2024, com foco na simplificação da estrutura da companhia, na redução de custos, na disciplina da alocação de capital e na reestruturação financeira. A companhia destacou que reduziu custos e despesas em aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo da safra e diminuiu os investimentos em R$ 3,3 bilhões em relação ao ciclo anterior. Segundo a administração, as medidas de simplificação também incluem a racionalização do portfólio de ativos e a preservação da liquidez para fortalecer a estrutura de capital.

Segundo a administração, essas iniciativas foram implementadas em um cenário marcado por condições climáticas adversas, volatilidade dos preços de commodities, juros elevados e impactos do mercado irregular de combustíveis. A empresa afirmou ainda que espera reduzir a alavancagem e fortalecer sua posição financeira, criando condições para retomar uma trajetória sustentável de geração de valor. A Raízen reduziu os investimentos em 27,7% no ano-safra 2025/26, para R$ 8,612 bilhões, em linha com a estratégia de disciplina na alocação de capital e preservação da liquidez. No quarto trimestre, os investimentos somaram R$ 2,870 bilhões, queda de 36,3% em relação ao mesmo período da safra anterior. No segmento de etanol, açúcar e bioenergia (EAB), os investimentos recuaram 28,8% na comparação anual, para R$ 6,822 bilhões.

Segundo a companhia, os recursos foram direcionados prioritariamente à manutenção da integridade dos ativos agroindustriais, ao manejo agrícola e aos tratos culturais. Os aportes em projetos concentraram-se na conclusão das plantas de etanol de segunda geração (E2G) de Vale do Rosário, com cerca de 95% das obras concluídas, e Gasa, com aproximadamente 60%. Na distribuição de combustíveis Brasil, os investimentos caíram 9,9%, para R$ 918,6 milhões. De acordo com a empresa, os recursos foram destinados principalmente à expansão e manutenção da rede de postos Shell, preservando a estratégia de fortalecimento da base de clientes e a disciplina na gestão do capital. Na operação de distribuição de combustíveis da Argentina, os investimentos totalizaram US$ 160,3 milhões, redução de 30,5% em relação ao ano-safra anterior. Segundo a Raízen, os desembolsos priorizaram a integridade dos ativos e a conclusão do projeto de maximização da eficiência da refinaria. Fonte: Broadcast Agro.