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26/Jun/2026

Açúcar: preocupação climática na Ásia eleva futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram esta quinta-feira (25/06) em alta na Bolsa de Nova York, sustentados principalmente pelas preocupações com o clima em importantes regiões produtoras da Ásia. O contrato com vencimento em outubro, referência do mercado, avançou 0,57%, e fechou a 14,10 centavos de dólar por libra-peso. O principal fator de suporte continua sendo o comportamento das monções na Índia. Dados meteorológicos mostram que as chuvas acumuladas permanecem 42% abaixo da média histórica até 24 de junho, cenário que amplia as incertezas sobre o desenvolvimento dos canaviais do segundo maior produtor mundial de açúcar. Como o período de monções é decisivo para a produtividade da cultura, o mercado segue incorporando um prêmio climático às cotações.

As preocupações também se estendem a outros países asiáticos. Projeções indicam déficit global de açúcar de 1,1 milhão de toneladas na safra 2026/27, sem considerar eventuais impactos adicionais do fenômeno El Niño. Além dos riscos climáticos, produtores da Tailândia enfrentam margens mais apertadas após dois anos de queda nos preços da cana e precipitações abaixo do esperado em áreas produtoras relevantes. No Brasil, os fundamentos permanecem favoráveis aos preços. As usinas do Centro-Sul continuam direcionando uma parcela maior da matéria-prima para a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar.

A estratégia reflete a rentabilidade ainda mais atrativa do biocombustível em relação ao adoçante, limitando uma expansão mais significativa da oferta brasileira. No entanto, os ganhos do mercado foram parcialmente limitados pela melhora do ambiente logístico global. A normalização do fluxo de navegação no Estreito de Ormuz reduz preocupações com fretes, seguros e custos de transporte, favorecendo o abastecimento dos mercados importadores. Pelo lado da demanda, a atenção permanece voltada para a Ásia. A China segue ativa nas compras internacionais, enquanto a Indonésia pode retornar ao mercado nos próximos dias. Ao mesmo tempo, o clima quente e seco na Europa continua gerando preocupação com as lavouras de beterraba, aumentando as incertezas sobre a oferta global de açúcar para os próximos meses.