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25/Jun/2026

Açúcar: risco climático na Índia eleva preços futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram o pregão desta quarta-feira (24/06) em alta na Bolsa de Nova York, sustentados principalmente por preocupações com as condições climáticas na Índia, que elevam o risco de redução da produção na segunda maior produtora mundial da commodity. O contrato com vencimento em outubro, referência no mercado, avançou 7 pontos, alta de 0,50%, e fechou a 14,02 centavos de dólar por libra-peso. O movimento refletiu a piora no quadro das monções indianas, com o Departamento de Meteorologia da Índia registrando precipitação acumulada 42% abaixo da média histórica até 24 de junho. O período de monções, entre junho e setembro, é determinante para o desenvolvimento dos canaviais e formação da safra. O déficit de chuvas amplia as expectativas de queda de produtividade agrícola e pode reduzir o potencial exportador da Índia nos próximos ciclos, em um momento em que o mercado já acompanha os efeitos climáticos associados ao fenômeno El Niño em outras regiões produtoras da Ásia, como Tailândia.

Esse conjunto de fatores reforça a percepção de maior risco sobre o balanço global de oferta. No cenário internacional, projeções de instituições financeiras indicam aperto adicional no equilíbrio entre oferta e demanda. O Rabobank estima déficit global de açúcar de 1,1 milhão de toneladas na safra 2026/27, sem incorporar possíveis impactos climáticos adicionais na Ásia nem eventuais reduções de investimentos agrícolas diante de custos elevados de produção. Na Tailândia, segundo maior exportador asiático, o setor enfrenta dois anos consecutivos de preços deprimidos da cana e chuvas abaixo do esperado em regiões produtoras relevantes, enquanto custos com diesel e fertilizantes permanecem elevados, limitando o ritmo de investimentos e o potencial produtivo das próximas safras.

No Brasil, o mercado acompanha a estratégia de alocação de mix das usinas do Centro-Sul, com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicando maior direcionamento da cana para a produção de etanol em relação ao mesmo período do ano anterior, o que reduz a disponibilidade potencial de açúcar no mercado. A avaliação é reforçada pela Copersucar, que indica manutenção de remuneração levemente superior do etanol frente ao açúcar, o que sustenta o incentivo à produção de biocombustível e contribui para a limitação da oferta do açúcar brasileiro. Pelo lado da demanda, o mercado segue atento ao comportamento dos compradores asiáticos, com a China mantendo ritmo ativo de importações e a possibilidade de retomada das compras pela Indonésia no curto prazo. Ainda assim, parte dos agentes avalia que a atual intensidade das aquisições chinesas pode reduzir a necessidade de novas compras adiante, caso haja recuperação da produção doméstica, o que adiciona incerteza ao equilíbrio global entre oferta e demanda.