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25/Jun/2026

Carro Elétrico: montadoras contra cota de importação

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) manifestou preocupação com a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) de restabelecer as cotas de importação para veículos híbridos e elétricos cuja produção é concluída no Brasil. A medida beneficia operações de montagem local a partir da importação de veículos parcialmente montados, modelo adotado pela BYD em sua unidade de Camaçari, na Bahia. Segundo a entidade, a decisão altera uma política previamente estabelecida pelo Governo Federal, que buscava conciliar a expansão da eletromobilidade no mercado brasileiro com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o País. A Anfavea avalia que a adoção da medida ocorreu sem consulta ao setor produtivo e modifica de forma relevante as condições que orientaram decisões de investimento da indústria automotiva.

A prorrogação de benefícios concebidos inicialmente como temporários pode comprometer a previsibilidade regulatória e gerar insegurança para empresas que estruturaram seus planos de expansão com base no cronograma anteriormente definido pelo governo. Segundo a entidade, a medida contraria os sinais que sustentaram anúncios de investimentos de aproximadamente R$ 140 bilhões no Brasil até 2033. O debate atual não está relacionado à continuidade da transição energética, processo considerado consolidado e em expansão no mercado brasileiro. A preocupação da indústria concentra-se no modelo de desenvolvimento a ser adotado para a nova mobilidade e na capacidade de ampliar a participação da produção nacional ao longo dessa transformação. A eletrificação da frota avançou de forma acelerada nos últimos anos, com a entrada de novas marcas no mercado, ampliação da oferta de veículos e crescimento de 214% nos emplacamentos de modelos eletrificados importados entre 2023 e 2025.

Os investimentos de R$ 140 bilhões anunciados pelas montadoras para o período até 2033 contemplam projetos voltados a novas tecnologias de propulsão, incluindo eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e expansão da cadeia de fornecedores instalada no País. O principal desafio para o setor deixou de ser a ampliação da presença dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. O foco passa a ser a geração de maior produção local, desenvolvimento tecnológico, fortalecimento da cadeia de fornecedores, ampliação das atividades de engenharia e aumento da agregação de valor na indústria nacional. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que o cronograma de elevação do imposto de importação sobre veículos segue inalterado, mesmo com a renovação da cota de importação sem tarifa para carros elétricos desmontados.

O cronograma de aumento tarifário foi iniciado há três anos e prevê a elevação gradual da alíquota até atingir 35% para todos os veículos a partir de 1º de julho. O governo reforça que não houve qualquer modificação no calendário previamente estabelecido. Paralelamente, a renovação da cota de importação com alíquota zero para veículos elétricos desmontados foi mantida como instrumento de transição para o setor automotivo. A política considera o processo de instalação de novas montadoras no País, com foco na ampliação da produção local. Dentro da cota, a importação de veículos segue isenta de imposto, enquanto volumes que excederem o limite ficam sujeitos à alíquota de até 35%, conforme o tipo de produto. O governo avalia que a medida busca equilibrar a entrada de veículos importados com o estímulo à produção nacional.

O MDIC destaca ainda que o setor automotivo passa por um processo de reorganização produtiva, com novas plantas industriais em fase de implantação no Brasil. A política industrial em vigor tem como objetivo ampliar a oferta de veículos, além de contribuir para a geração de empregos e renda. Diante das críticas de representantes da indústria nacional, o MDIC reforça que a análise do cenário deve considerar o conjunto das políticas adotadas para o setor. A avaliação é de que o desempenho recente da indústria automotiva tem sido positivo, com recordes de produção, vendas e emplacamentos. O governo cita como referência o volume superior a 1 milhão de veículos produzidos no País em maio, interpretando o resultado como sinal de fortalecimento da cadeia automotiva e de consolidação das políticas industriais em curso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.