24/Jun/2026
O Rabobank projeta déficit global de açúcar de 1,1 milhão de toneladas na temporada 2026/27 (outubro/setembro). A estimativa preliminar não incorpora potenciais impactos climáticos adversos na Ásia nem possíveis reduções de investimentos agrícolas associadas a custos elevados de produção. No curto prazo, o mercado internacional do açúcar segue pressionado por expectativa de excedente de oferta, com preços oscilando entre 14,00 e 15,00 centavos de dólar por libra-peso durante o avanço da moagem no Centro-Sul do Brasil. Ainda assim, o cenário permanece sensível a fatores de risco, especialmente relacionados à produção asiática. Entre os principais pontos de atenção está a possibilidade de ocorrência de um El Niño moderado ou intenso no segundo semestre, com potencial impacto sobre a produtividade em grandes produtores globais, como Tailândia e Índia.
No caso da Tailândia, produtores acumulam queda de cerca de 40% nos preços da cana nas últimas duas safras, o que pode resultar em redução de área plantada na próxima temporada. Além disso, o volume de chuvas até abril ficou abaixo do esperado, reforçando o risco produtivo. O ambiente de custos também exerce influência relevante, com manutenção de níveis elevados para diesel e fertilizantes. Mesmo em cenário de eventual estabilização geopolítica no Oriente Médio, esses insumos devem permanecer pressionados, podendo levar à redução de investimentos em tratos culturais e comprometer o potencial produtivo das safras de 2027 em diferentes origens. No Brasil, o mercado sucroenergético tem apresentado maior direcionamento para o etanol.
O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% é apontado como principal fator de sustentação da demanda, ampliando o consumo do biocombustível e reduzindo a necessidade de importação de gasolina. A mudança também favorece o etanol hidratado, que ganhou competitividade nas bombas, com a relação entre etanol hidratado e gasolina em São Paulo recuando de 67,6% para 60,1% entre o fim de março e o início de junho. A desvalorização recente do etanol aproximou o biocombustível da paridade econômica com o açúcar. Nesse contexto, durante o terceiro trimestre, período de pico da moagem no Centro-Sul, os preços internacionais do açúcar tendem a permanecer próximos dessa paridade, refletindo a relevância do Brasil como principal exportador global do produto. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.