24/Jun/2026
A Copersucar encerrou a safra 2025/26 com lucro líquido consolidado de R$ 631 milhões, resultado 56,9% superior ao registrado na temporada anterior, quando a companhia reportou ganho de R$ 402 milhões. A receita avançou 5,5% no período, passando de R$ 62,3 bilhões para R$ 65,8 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 35%, informou a empresa. Segundo a companhia, o desempenho foi o terceiro melhor resultado de sua história. "Esse resultado demonstra a robustez do nosso modelo de negócios. Com um plano estratégico claro, uma governança sólida, muita disciplina financeira, gestão de riscos e um time com profundo conhecimento do mercado, temos flexibilidade e resiliência para enfrentar diferentes cenários, diversificar receitas e seguir crescendo de forma consistente ao longo dos ciclos econômicos", afirmou o presidente da Copersucar, Tomás Manzano.
Segundo a companhia, a safra foi marcada por um cenário desafiador, com redução da produtividade agrícola no Brasil em função dos efeitos climáticos do ciclo anterior, volatilidade nos mercados internacionais e pressão sobre as margens dos produtores. Apesar disso, as usinas associadas processaram 108 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 0,9% superior ao da temporada passada e acima da média da indústria sucroenergética brasileira. Com isso, a Copersucar ampliou sua participação na moagem do Centro-Sul pelo oitavo ano consecutivo. A companhia informou ainda que comercializou 17 milhões de toneladas de açúcar na safra, volume recorde e suficiente para abastecer cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo. As vendas de etanol somaram 21 bilhões de litros no Brasil e nos Estados Unidos.
Segundo a empresa, esse volume evitou a emissão de aproximadamente 30 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Na área financeira, a Copersucar destacou a melhora da estrutura de capital. A posição passou de endividamento líquido de R$ 301 milhões para caixa líquido de R$ 607 milhões ao final da safra, movimento atribuído à geração de caixa e à disciplina na alocação de capital. Entre os destaques operacionais da temporada, a companhia citou a consolidação da BioRota, iniciativa de transporte rodoviário movido a biometano. Atualmente, a operação responde por 14% do volume de açúcar transportado das usinas até o Terminal Açucareiro Copersucar (TAC), no Porto de Santos. Desde abril de 2024, a frota realizou mais de 13 mil viagens e transportou mais de 600 mil toneladas de açúcar, substituindo cerca de 5 milhões de litros de diesel.
A empresa também apontou o mercado de combustíveis marítimos como uma das principais oportunidades de crescimento para o etanol brasileiro. Segundo Manzano, a presença da companhia no Brasil, por meio da Evolua, e nos Estados Unidos, por meio da Eco-Energy, aliada à sua estrutura logística e comercial, pode favorecer a inserção do biocombustível em corredores estratégicos de abastecimento da navegação mundial. A Copersucar projeta ampliar o volume de cana processada por suas associadas na safra 2026/27, impulsionada pela incorporação de novas unidades industriais e por uma expectativa de recuperação da produtividade agrícola. Segundo o CEO da companhia, Tomás Manzano, a moagem do grupo deverá superar 125 milhões de toneladas, ante 108 milhões de toneladas registradas na temporada 2025/26. "Esse ano a nossa previsão é de processar mais de 125 milhões de toneladas", afirmou o executivo.
Segundo ele, a estimativa já considera as usinas recentemente incorporadas por grupos associados e uma safra que "tende a ser um pouco maior em produtividade do que foi a safra passada". O crescimento da base produtiva da Copersucar decorre principalmente dos movimentos de consolidação ocorridos nos últimos meses no setor sucroenergético. Embora parte das aquisições tenha sido concluída ainda durante a safra 2025/26, os volumes dessas unidades passarão a contribuir de forma mais relevante apenas a partir do ciclo atual. Entre os exemplos citados por Manzano estão as usinas adquiridas pela Cocal junto à Raízen, cuja produção deverá começar a fluir para o sistema da Copersucar na safra 2026/27. O mesmo ocorre com a unidade adquirida pelo grupo Viralcool. Já a usina Cresciumal, comprada pelos grupos Ferrari e Vale do Verdão, teve sua produção incorporada ao sistema ainda na safra passada.
Apesar da expansão da capacidade industrial, o executivo ressaltou que o aumento esperado para a safra 2026/27 resulta de uma combinação de fatores. Além das novas unidades, há projetos de expansão de área por parte de grupos associados e uma expectativa de melhora dos rendimentos agrícolas. "É uma combinação de expansão de área de vários grupos nossos, mais as usinas adquiridas e mais uma safra em geral com uma produtividade melhor do que foi a safra passada", afirmou. Em relação ao quadro societário, Manzano informou que a única saída registrada entre as associadas foi a da usina Viena. Com isso, a Copersucar encerrou a safra 2025/26 com 42 usinas associadas, embora nem todas tenham contribuído integralmente para os resultados do período devido ao momento das aquisições e integrações operacionais. Fonte: Broadcast Agro.