23/Jun/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta segunda-feira (22/06) em queda na Bolsa de Nova York, ampliando o movimento de baixa e renovando os menores níveis em dois meses. O vencimento outubro, atualmente o mais líquido, recuou 29 pontos, ou 2,05%, e fechou a 13,84 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi influenciado pelo fortalecimento do dólar, pela forte queda do petróleo e pela percepção de normalização logística no Oriente Médio, fatores que estimularam a liquidação de posições por fundos. O índice dólar avançou 0,14%, a 100,849 pontos, após ajustes pós-reunião do Federal Reserve (Fed), encarecendo commodities para compradores internacionais. No mercado de energia, o petróleo WTI recuou 3,56%, para US$ 80,57 por barril, com reflexos de avanços diplomáticos e melhora nas condições de oferta global.
A redução dos preços do petróleo também pressiona o etanol hidratado frente à gasolina, o que tende a reduzir o suporte ao açúcar no médio prazo ao potencialmente aumentar a atratividade do direcionamento de cana-de-açúcar para a produção de açúcar. A reabertura do Estreito de Ormuz contribuiu para aliviar gargalos logísticos, com expectativa de redução de custos de frete e seguros no comércio internacional. O mercado acompanhou dados do setor sucroenergético do Centro-Sul do Brasil. O processamento acumulado da safra 2026/27 até 1º de junho avançou 15,81%, para 144,707 milhões de toneladas. Porém, a segunda quinzena de maio mostrou desaceleração, com moagem de 41,55 milhões de toneladas, queda de 13,08% na comparação anual. No mesmo período, a produção de açúcar recuou 25,62%, totalizando 2,201 milhões de toneladas, enquanto o mix de produção seguiu mais direcionado ao etanol, que respondeu por 58,58% da cana-de-açúcar processada.
O cenário de oferta também reflete revisões de entidades do setor, que apontam queda acumulada na produção de açúcar na safra, mesmo com melhora do ATR para 119,73 kg por tonelada. Ao mesmo tempo, projeções internacionais indicam possibilidade de déficit ou equilíbrio apertado no ciclo 2026/27, com estimativas divergentes entre consultorias, variando de leve déficit a pequeno superávit, em meio à elevada volatilidade do balanço global. O mercado segue atento ao comportamento das monções na Índia, que apresentam atraso relevante em relação à média histórica, e à evolução de condições climáticas globais, com potencial impacto sobre a produção de cana nos principais países produtores. Esse conjunto de fatores mantém o mercado sensível a revisões de oferta e à atuação dos fundos, que seguem monitorando o petróleo como variável-chave para novas direções de preço.