22/Jun/2026
Os reajustes dos combustíveis no Brasil permaneceram abaixo da média global em meio à volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio, segundo análise do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). O resultado reflete a combinação entre medidas de desoneração e subsídios adotadas pelo governo federal e a política de preços praticada pela Petrobras. Entre 23 de fevereiro e 8 de junho, os preços da gasolina no Brasil acumularam alta de 4,9%, enquanto o diesel avançou 13,6%. No mesmo período, os aumentos alcançaram 36,1% e 36,8%, respectivamente, nos Estados Unidos, e 21,1% e 23,7% na Argentina. A média global registrou elevação de 17,5% para a gasolina e de 23,3% para o diesel.
Os preços internacionais do petróleo sofreram forte volatilidade ao longo do conflito. Após uma disparada inicial em março, o preço médio mensal do barril de petróleo Brent atingiu o pico em abril e recuou em maio. Em alguns momentos, as cotações superaram US$ 100,00 por barril, embora os efeitos sobre os combustíveis tenham variado entre os países em função de suas políticas energéticas e tributárias. No mercado brasileiro, os combustíveis apresentaram comportamento mais moderado em maio. A gasolina recuou de R$ 6,74 por litro em abril para R$ 6,64 por litro em maio, queda de 1,5%. O diesel S10 passou de R$ 7,45 para R$ 7,18 por litro, redução de 3,6%. O etanol hidratado registrou recuo mais expressivo, de 7,3%, passando de R$ 4,66 para R$ 4,32 por litro, favorecido pelo avanço da safra 2026/27 e pelo aumento da oferta.
O GLP apresentou estabilidade relativa, com alta de 0,9%, passando de R$ 113,69 para R$ 114,71 por botijão. Embora as medidas emergenciais tenham contribuído para reduzir os impactos da volatilidade internacional sobre os consumidores brasileiros, elas não eliminam vulnerabilidades estruturais do setor energético nacional. A avaliação é que uma redução mais duradoura da exposição aos choques externos dependeria do fortalecimento da cadeia doméstica de abastecimento, incluindo ampliação da capacidade de refino, aumento da autossuficiência em derivados e maior presença da Petrobras em segmentos estratégicos do mercado de combustíveis. Nesse contexto, a Petrobras mantém planos de alcançar autossuficiência em diesel até 2030.
A companhia já possui baixa dependência de importações de gasolina, em um mercado que vem sendo influenciado pelo crescimento da eletrificação e pela competitividade do etanol. O preço médio mensal do Brent recuou 8,7%, de US$ 117,29 para US$ 107,14 por barril, embora tenha permanecido acima de US$ 100,00 por barril pelo terceiro mês consecutivo. Após a assinatura do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, as cotações recuaram para uma faixa entre US$ 75,00 e US$ 79,00 por barril, reduzindo as pressões sobre o mercado global de energia. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as medidas adotadas pelo governo para controlar os preços de combustíveis serão encerradas assim que os preços do petróleo se estabilizarem, na esteira do fim da guerra do Irã. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.