19/Jun/2026
Segundo o Itaú BBA, a possível retomada do fenômeno climático El Niño é apontada como um dos principais fatores de risco para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, região responsável por cerca de 90% da moagem nacional. O cenário é associado a potenciais impactos sobre a qualidade da matéria-prima e sobre o ritmo de moagem, em um ciclo em que o aproveitamento da janela operacional é considerado determinante para a captura do potencial produtivo dos canaviais. O fenômeno climático El Niño tende a alterar a distribuição das chuvas, com precipitações em períodos tradicionalmente secos, como o inverno, e restrição hídrica em fases normalmente mais chuvosas, como o verão.
Essa inversão afeta diretamente a logística de colheita e o desempenho industrial das usinas, ao interferir no fluxo regular de moagem. Para a safra 2026/27, há dois vetores principais de risco. O primeiro está relacionado ao desempenho dos canaviais colhidos no terço final da temporada, mais suscetíveis a variações climáticas e a perdas de eficiência, com impacto potencial sobre os níveis de ATR (Açúcar Total Recuperável) e sobre a operação industrial. O segundo envolve a própria irregularidade do regime de chuvas, que pode comprometer o avanço da colheita em períodos críticos de processamento. O excesso de umidade é apontado como fator adicional de pressão sobre a qualidade da cana, com potencial de retardar a concentração de sacarose, reduzir o rendimento industrial e elevar a incidência de colheita de matéria-prima ainda imatura.
O conjunto desses fatores tende a afetar diretamente a eficiência de conversão industrial ao longo da safra. Como referência histórica, o ciclo 2015/16, marcado por um episódio de Super El Niño, é citado como exemplo de impacto operacional relevante no Centro-Sul, quando chuvas fora do padrão durante o inverno interromperam o ritmo de moagem. Embora condições mais secas no verão tenham permitido recuperação parcial do processamento, a qualidade da matéria-prima foi impactada, com ATR médio de 130,5 quilos por tonelada de cana-de-açúcar e moagem total de 617,7 milhões de toneladas, incluindo pico de 19,4 milhões de toneladas processadas em março. O Norte-Nordeste brasileiro apresenta risco associado ao aumento de estiagens e ondas de calor, com maior incidência de veranicos durante o plantio de verão entre outubro e dezembro, o que tende a elevar o estresse hídrico e térmico, com potencial de redução de produtividade, queda no teor de sacarose e aumento de custos de produção.
Na Índia, o impacto do El Niño sobre o regime de monções é tradicionalmente associado a atrasos ou enfraquecimento das chuvas, mas a avaliação indica impacto limitado na safra 2026/27, sustentado por reservas hídricas consideradas confortáveis após dois ciclos de precipitações favoráveis, com maior risco climático projetado para a safra 2027/28. Na América Central, o fenômeno tende a gerar condições mais secas e quentes durante fases críticas do desenvolvimento da cana-de-açúcar, embora a ampla adoção de sistemas de irrigação funcione como fator de mitigação parcial dos impactos climáticos sobre a produtividade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.