19/Jun/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em valorização nesta quinta-feira (18/06) na Bolsa de Nova York, interrompendo a sequência de quedas das últimas sessões e consolidando a recuperação iniciada no pregão anterior. O vencimento outubro, referência atual do mercado e o mais líquido, avançou 6 pontos (0,42%), e fechou a 14,37 centavos de dólar por libra-peso. As crescentes preocupações com a safra de cana-de-açúcar da Índia e os riscos climáticos globais impulsionaram as ordens de compra nas telas norte-americanas. O Departamento de Meteorologia da Índia relatou que as chuvas das monções acumuladas estavam 32% abaixo do normal até 15 de junho, agravando o déficit hídrico no segundo maior produtor mundial.
No longo prazo, os temores com o clima ganham força com a consolidação do fenômeno El Niño no Pacífico Equatorial, confirmado pela NOAA e pela Agência Meteorológica do Japão, com 67% de chance de se tornar o evento mais forte já registrado. Esse panorama severo fundamenta as estimativas de déficit global para o ciclo subsequente 2026/27, projetado em 262 mil toneladas pela OIA e em 550 mil toneladas pela StoneX. O suporte de médio e longo prazo para o adoçante também foi referendado pelo relatório recente da consultoria Czarnikow, que cortou a projeção do balanço mundial para a próxima temporada de um superavit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas.
A revisão foi motivada pelo recuo na estimativa de produção no Centro-Sul do Brasil para 39,5 milhões de toneladas, diante de uma redução esperada no mix açucareiro de 48% para 47% em razão da atratividade do biocombustível. A safra global foi estimada em 178,90 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve ficar em 179 milhões de toneladas, contido pelo avanço de medicamentos da classe GLP-1. Por outro lado, o fôlego para um rali mais agressivo permaneceu contido pelo forte recuo acumulado no setor de energia e pela ampla oferta corrente no curto prazo, o que atua deixando as cotações pressionadas. O petróleo WTI operava em alta de 0,17%, a US$ 76,68 o barril, mas digere um tombo superior a 15% na semana, provocado pela consolidação do acordo de paz definitivo entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
A desvalorização acumulada do combustível fóssil reduz a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina nas bombas brasileiras, sinalizando que as usinas podem desviar mais cana para a fabricação do demerara. Os fundamentos de curto prazo também dão suporte ao viés de baixa, amparados pelos dados recordes da safra brasileira divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). A moagem acumulada no Centro-Sul atingiu 60,46 milhões de toneladas de cana até o início de maio (alta de 74,58% de forma anual), com a produção de açúcar saltando 55,24%, para 2,475 milhões de toneladas, impulsionada pelo ATR de 112,58 quilos por tonelada. No fluxo internacional, o suprimento é reforçado pelo crescimento de 29% nas exportações da Tailândia no primeiro quadrimestre (1,6 milhão de toneladas), segundo a Barchart, e pelo superavit de 2,2 milhões de toneladas projetado pela OIA para o ciclo 2025/26.