18/Jun/2026
A possível assinatura de um acordo entre Estados Unidos e Irã pode abrir caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz após mais de 109 dias de interrupção do tráfego marítimo na região. No entanto, a normalização do mercado físico de petróleo e gás tende a ocorrer de forma gradual, em razão de restrições logísticas, operacionais e de segurança que permanecem presentes mesmo em um cenário de redução das tensões geopolíticas. De acordo com análise do Rabobank, a retomada plena da navegação pelo Estreito de Ormuz é condição necessária para aliviar de forma significativa o equilíbrio global entre oferta e demanda de energia. Em condições normais, a região concentra o trânsito diário de aproximadamente seis navios de gás natural liquefeito (GNL) e 26 petroleiros de óleo bruto. Desde 1º de março, porém, o fluxo foi reduzido para uma média de cerca de 2,25 travessias por dia. O cenário permanece cercado de incertezas em relação aos termos do entendimento entre Estados Unidos e Irã. As informações disponíveis indicam divergências sobre o modelo de operação do corredor marítimo.
Enquanto fontes iranianas apontam para supervisão do tráfego pelo Irã, a posição norte-americana defende livre passagem das embarcações sem cobrança de pedágios ou restrições adicionais. A avaliação do Rabobank considera como cenário-base um compromisso de livre circulação de navios por um período inicial de 60 dias, com possibilidade de retomada da cobrança de tarifas pelo Irã posteriormente. Essa configuração poderia permitir recuperação parcial dos fluxos comerciais até o fim de agosto, mas manteria elevado o grau de incerteza para os meses seguintes. Mesmo em um ambiente de paz considerado confiável, a recuperação da oferta energética do Golfo Pérsico tende a ser lenta. Estimativas do banco indicam que mais de 10 milhões de barris por dia de produção permanecem paralisados na região. Entre 70% e 80% desse volume poderiam retornar em até três meses, enquanto determinados campos exigiriam mais de seis meses para retomada integral das operações. Há ainda risco de perdas permanentes em parte da capacidade produtiva.
O Rabobank estima que entre 3% e 5% dos campos afetados possam não recuperar totalmente a produção, o que representa uma redução potencial entre 300 mil e 550 mil barris por dia. A segurança da navegação também continua sendo um fator crítico. Persistem dúvidas sobre a existência de minas marítimas no Estreito de Ormuz e sobre as condições necessárias para retomada das operações de transporte. Empresas de navegação tendem a aguardar a formalização do acordo e garantias conjuntas de Estados Unidos e Irã sobre a remoção de riscos nas rotas marítimas. Os desafios logísticos ampliam o período de ajuste do mercado. Um navio carregado necessita entre 28 e 55 dias para sair do Golfo Pérsico e alcançar destinos na Ásia. Além disso, parte da frota global foi redirecionada para rotas alternativas mais longas via Cabo da Boa Esperança, exigindo entre um e dois meses para reposicionamento das embarcações. Eventual acordo poderá restaurar parcialmente os fluxos comerciais até o fim de agosto, mas a recomposição plena da produção e da logística energética poderá exigir vários meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.