17/Jun/2026
O Itaú BBA revisou para cima sua estimativa para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil e passou a projetar moagem de 646,2 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de 6% em relação à temporada anterior e reflete a combinação entre expansão da área cultivada e aumento da produtividade das lavouras, favorecida pelas condições hídricas observadas durante o desenvolvimento da cultura. A maior disponibilidade de matéria-prima deverá exigir das usinas um ritmo elevado de processamento ao longo da safra para absorver o volume disponível no campo. Esse cenário pode reduzir a qualidade média da cana-de-açúcar colhida e limitar a flexibilidade operacional das unidades industriais. Diante desse contexto, o banco projeta ATR (açúcares totais recuperáveis) médio de 138,3 quilos por tonelada de cana-de-açúcar processada.
A estimativa também considera que 46,3% da matéria-prima será direcionada à produção de açúcar, mantendo o mix açucareiro em patamar elevado. A temporada possui potencial para alcançar novos recordes de produção, mas ressalta que o comportamento climático continuará sendo um fator determinante para o resultado final. A possibilidade de ocorrência de um episódio forte de El Niño pode comprometer a eficiência da colheita e da moagem em determinados períodos do ciclo. No mercado internacional, a perspectiva de ampla oferta segue limitando uma recuperação mais consistente das cotações do açúcar. A restrição parcial das exportações da Índia teve impacto reduzido sobre os preços, uma vez que o país preservou embarques já contratados e manteve volumes relevantes destinados a mercados considerados estratégicos. Os movimentos de valorização registrados recentemente foram temporários e acabaram neutralizados pela abundância da oferta global e pela atuação de fundos especulativos com posições vendidas nos contratos futuros.
O mercado ainda não encontrou um fator capaz de sustentar os preços do açúcar negociado na Bolsa de Nova York acima do patamar de 15,00 centavos de dólar por libra-peso de forma consistente. Apesar da pressão atual sobre as cotações, a projeção é de uma mudança gradual no balanço mundial para a safra 2026/27. A estimativa aponta déficit global próximo de 500 mil toneladas, resultado de reduções esperadas na produção de importantes exportadores e consumidores, incluindo Índia, Tailândia, União Europeia e Estados Unidos. Ainda assim, a perspectiva de elevada produção no Brasil, principal exportador mundial de açúcar, deverá continuar exercendo papel relevante na formação dos preços internacionais ao longo dos próximos meses, mantendo o mercado atento à evolução da safra do Centro-Sul e às condições climáticas globais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.