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17/Jun/2026

Açúcar: previsão de déficit global eleva os futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em alta nesta terça-feira (16/06) na Bolsa de Nova York, interrompendo a sequência recente de perdas. O contrato com vencimento em outubro, referência de liquidez do mercado, avançou 0,85%, para 14,31 centavos de dólar por libra-peso, em movimento de recuperação técnica após os menores níveis em sete semanas registrados na sessão anterior. O suporte às cotações veio da revisão das perspectivas para o balanço global de oferta e demanda. A consultoria Czarnikow passou a projetar déficit mundial de 100 mil toneladas na safra 2026/27, ante expectativa anterior de superávit de 1,4 milhão de toneladas. A revisão reflete principalmente a redução da estimativa de produção no Centro-Sul do Brasil para 39,5 milhões de toneladas. A produção global foi estimada em 178,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo deverá alcançar 179 milhões de toneladas.

Entre os fatores monitorados pelo mercado estão os impactos do avanço dos medicamentos da classe GLP-1 sobre o consumo de açúcar e os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño. No cenário climático, a NOAA e a Agência Meteorológica do Japão confirmaram a formação do El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. As projeções indicam 63% de probabilidade de ocorrência de um evento de forte intensidade entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, elevando as preocupações com possíveis impactos sobre a produtividade em importantes produtores, como Brasil, Índia e Tailândia. Apesar do avanço dos contratos, o mercado continua encontrando resistência para movimentos mais expressivos de valorização. A queda dos preços da energia e a ampla disponibilidade de açúcar no curto prazo seguem limitando os ganhos. O petróleo WTI recuou 5,19% após o avanço das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.

A desvalorização do petróleo reduz a competitividade relativa do etanol, aumentando a possibilidade de direcionamento de maior volume de cana para a produção de açúcar. No mercado cambial, o dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,0668, com alta de 0,33%. Os agentes também acompanham os dados da safra brasileira. Segundo a Unica, a moagem acumulada no Centro-Sul atingiu 60,46 milhões de toneladas, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período da temporada anterior. A produção de açúcar alcançou 2,475 milhões de toneladas, avanço de 55,3%, sustentada por ATR médio de 112,58 quilos por tonelada de cana-de-açúcar. No mercado internacional, o aumento das exportações da Tailândia e a projeção de superávit global de 2,2 milhões de toneladas para a safra 2025/26, divulgada pela Organização Internacional do Açúcar (ISO), continuam reforçando a percepção de oferta confortável no curto prazo e limitando uma recuperação mais consistente das cotações.