17/Jun/2026
Segundo o Itaú BBA, os preços do etanol hidratado seguiram em queda ao longo de maio, refletindo a elevada oferta do biocombustível no mercado e os efeitos das medidas adotadas pelo governo para conter o avanço dos preços da gasolina. O valor recebido pelo produtor de São Paulo recuou de R$ 2,27 por litro no início do mês para R$ 2,23 por litro no encerramento de maio, o menor patamar nominal desde março de 2024. A pressão sobre os preços ocorre em um momento de forte disponibilidade do produto no mercado doméstico. Apesar da queda, o etanol ampliou sua competitividade frente à gasolina. Em São Paulo, principal mercado consumidor do País, o preço médio da gasolina nos postos atingiu R$ 6,50 por litro em maio, redução de apenas R$ 0,15 por litro em relação a abril. O etanol foi comercializado, em média, a R$ 4,04 por litro, acumulando recuo de R$ 0,50 por litro no mesmo período e mantendo uma diferença de R$ 2,46 por litro em relação ao combustível fóssil.
A competitividade do biocombustível poderia ser ainda maior sem as intervenções adotadas pelo governo federal para reduzir o impacto dos combustíveis sobre a inflação. Em 25 de maio, foi instituída uma subvenção temporária de R$ 0,44 por litro para a gasolina, destinada a produtores e importadores por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com vigência prevista até julho. Poucos dias depois, em 28 de maio, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,48 por litro no preço da gasolina vendida às distribuidoras. Considerando o efeito da subvenção, o aumento efetivo foi limitado a R$ 0,03 por litro, com o preço passando de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro. Porém, há fatores que podem oferecer sustentação ao mercado de etanol nos próximos meses.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) programou para 24 de junho a análise da proposta de elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32). Caso aprovada, a medida poderá elevar a demanda doméstica pelo biocombustível em aproximadamente 750 milhões de litros em 2026. O aumento do consumo de etanol anidro tende a reduzir a disponibilidade relativa de matéria-prima para outros mercados, contribuindo para melhorar a sustentação dos preços do etanol hidratado e do açúcar. No cenário internacional, o mercado acompanha a tramitação do projeto de lei H.R. 1346 nos Estados Unidos, que autoriza a comercialização de gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados norte-americana em maio e segue em análise pelo Senado, podendo ampliar a demanda global pelo biocombustível caso seja implementada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.