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17/Jun/2026

Biocombustíveis: novas regras da navegação global

As negociações para a definição das novas regras de descarbonização do transporte marítimo internacional entraram em uma fase decisiva e são acompanhadas de perto pelo Brasil. A Organização Marítima Internacional (IMO) deverá concluir entre novembro e dezembro de 2026 o desenho regulatório que orientará a redução das emissões de carbono do setor nas próximas décadas. Além das metas climáticas, as discussões envolvem aspectos centrais do mecanismo regulatório, como a adoção de sistemas de precificação de carbono, penalidades pelo descumprimento das metas, critérios de contabilização das emissões e a destinação dos recursos arrecadados. Entre as propostas em análise estão mecanismos que combinam incentivos para embarcações com menor intensidade de carbono e penalidades para operadores que não promovam reduções de emissões.

O objetivo é acelerar a transição energética da frota mundial e criar instrumentos econômicos que estimulem o uso de combustíveis de menor impacto ambiental. O Brasil participa ativamente das negociações com o objetivo de evitar que os novos critérios excluam, de forma antecipada, rotas tecnológicas associadas aos biocombustíveis. A estratégia busca assegurar tratamento mais neutro entre diferentes alternativas energéticas, permitindo que combustíveis renováveis produzidos no País possam competir no futuro mercado marítimo de baixo carbono. A posição brasileira ganhou relevância após experiências no mercado de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF), em que determinados critérios internacionais limitaram a competitividade de algumas rotas de biocombustíveis. Agora, o foco está na construção de um marco regulatório que reconheça diferentes tecnologias de descarbonização com base em indicadores científicos de intensidade de carbono.

Entre os avanços recentes está a aceitação de valores-padrão para determinadas rotas de etanol, medida que pode simplificar a inserção do produto em mercados internacionais ao reduzir a necessidade de avaliações individualizadas para cada operação comercial. No curto prazo, o setor acompanha o desenvolvimento de combustíveis renováveis para navegação, incluindo biodiesel, diesel verde (HVO), etanol, metanol e, em uma etapa posterior, amônia de baixo carbono. A expectativa é de que a indústria naval avance para motores capazes de operar com múltiplos combustíveis, ampliando a flexibilidade tecnológica da transição energética. O principal desafio brasileiro, entretanto, está relacionado à infraestrutura logística. A expansão desse mercado exigirá maior integração entre produção, transporte, armazenagem e abastecimento nos portos, além de sistemas robustos de rastreabilidade para comprovação da origem e da intensidade de carbono dos combustíveis utilizados. As metas em discussão na IMO apontam para uma trajetória gradual de redução das emissões até 2050, com objetivos intermediários para 2030 e 2040.

Paralelamente, permanece em debate a criação de fundos internacionais financiados por mecanismos de precificação de carbono, cujos recursos poderão ser direcionados a ações de mitigação climática, adaptação e apoio a países mais vulneráveis. Para o agronegócio brasileiro, a consolidação de um mercado global de combustíveis marítimos renováveis representa uma oportunidade potencial de ampliação da demanda por matérias-primas agrícolas utilizadas na produção de biocombustíveis, especialmente em um contexto de crescente busca por alternativas energéticas de menor emissão de carbono. No mercado nacional, já existem iniciativas comerciais envolvendo combustíveis marítimos com conteúdo renovável. O biobunker produzido a partir da mistura de bunker e biodiesel figura entre as alternativas em desenvolvimento para atender às futuras exigências ambientais do transporte marítimo internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.