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16/Jun/2026

SAF: distribuição e regulação desafiam expansão

A expansão do mercado de combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil dependerá da combinação entre segurança regulatória, redução de custos e desenvolvimento de soluções logísticas compatíveis com a dimensão territorial do País. Entre os fatores considerados prioritários para o avanço do setor está a definição do marco regulatório. A regulamentação é vista como elemento fundamental para proporcionar previsibilidade aos agentes econômicos, orientar investimentos e permitir a estruturação da logística necessária para distribuição do combustível sustentável em escala comercial. A viabilidade econômica do programa também está diretamente relacionada à redução de custos ao longo de toda a cadeia produtiva. O alinhamento entre iniciativas governamentais e privadas é considerado essencial para ampliar a competitividade do SAF e evitar impactos significativos sobre os custos finais do transporte aéreo. A experiência adquirida com projetos-piloto e com as primeiras operações de importação de SAF evidenciou a complexidade logística associada à distribuição do produto no Brasil.

A integração do combustível sustentável à infraestrutura já utilizada para biodiesel, etanol, gasolina e outros combustíveis representa um desafio adicional para o setor. A logística brasileira apresenta características distintas das observadas em outros mercados, especialmente na Europa, em razão das longas distâncias entre centros produtores, portos e aeroportos. O transporte do combustível para diferentes regiões do País exige soluções específicas, considerando as particularidades de cada mercado consumidor. Os desafios operacionais também variam conforme a localização dos aeroportos. O abastecimento de grandes centros aeroportuários demanda estratégias distintas daquelas necessárias para atender terminais localizados no Centro-Oeste, Norte e outras regiões mais distantes dos principais polos de distribuição. Nesse contexto, o sistema conhecido como "book and claim" surge como uma alternativa para aumentar a eficiência da cadeia.

O mecanismo permite a negociação dos atributos ambientais do SAF independentemente da movimentação física do combustível, contribuindo para reduzir custos logísticos e ampliar a flexibilidade comercial do mercado. O modelo também pode ajudar a equilibrar interesses entre produtores e compradores. Enquanto os investimentos em produção de SAF normalmente exigem contratos de longo prazo para garantir viabilidade econômica, parte da demanda do mercado aéreo necessita de maior flexibilidade para responder às mudanças nas condições operacionais e comerciais. A consolidação do mercado brasileiro de SAF dependerá, portanto, da combinação entre um ambiente regulatório claro, ganhos de eficiência logística, redução de custos e mecanismos capazes de conectar de forma mais eficiente a oferta e a demanda. Esses fatores serão determinantes para ampliar a produção, estimular investimentos e atender às metas de descarbonização da aviação nos próximos anos.

Para a Gol, o Brasil reúne condições para se consolidar como um importante produtor de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), mas o desenvolvimento do mercado dependerá da criação de mecanismos capazes de ampliar a utilização do produto sem comprometer a competitividade das companhias aéreas nem elevar significativamente os custos para os passageiros. A avaliação ocorre em um momento em que o setor avança da discussão regulatória para a estruturação prática do mercado. Embora o País apresente elevado potencial produtivo e possa ocupar posição relevante no fornecimento global de SAF, permanecem desafios relacionados à formação de preços, à logística e à definição das regras que nortearão a cadeia produtiva. Entre os instrumentos considerados estratégicos para acelerar a adoção do combustível sustentável está o sistema conhecido como book and claim, mecanismo que permite a comercialização dos atributos ambientais do SAF independentemente de sua movimentação física.

A ferramenta possibilita a negociação dos benefícios de descarbonização entre produtores e consumidores localizados em diferentes regiões, ampliando a flexibilidade do mercado e reduzindo barreiras logísticas. A utilização desse modelo pode contribuir para que o Brasil aproveite seu potencial produtivo e participe do mercado internacional de créditos e atributos ambientais associados ao SAF. Ao mesmo tempo, a adoção de mecanismos dessa natureza é vista como importante para reduzir os impactos financeiros da transição energética sobre a aviação comercial. Um dos principais desafios apontados pelo setor é evitar que o combustível sustentável chegue ao consumidor final com custos excessivamente superiores aos do querosene de aviação convencional. As estimativas atuais indicam que o SAF pode apresentar custo entre três e cinco vezes maior que o combustível fóssil, tornando necessária a criação de instrumentos que promovam eficiência econômica ao longo da cadeia.

Além da questão produtiva, o avanço do SAF depende da análise dos impactos sobre toda a cadeia aérea, incluindo companhias, distribuidores, produtores e passageiros. O desenvolvimento do mercado exigirá equilíbrio entre as metas de descarbonização e a manutenção da competitividade do transporte aéreo. No campo regulatório, as empresas aguardam a publicação das regulamentações complementares da Lei do Combustível do Futuro, incluindo decreto federal e normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A definição dessas regras será fundamental para orientar investimentos, contratos de fornecimento e estratégias logísticas relacionadas ao combustível sustentável.

Enquanto aguardam o marco regulatório definitivo, as companhias aéreas já iniciam processos de adaptação ao novo ambiente de negócios, com avaliações da cadeia logística, negociações com fornecedores e análise das experiências internacionais de implementação de mandatos de uso de SAF. A expectativa do setor é que as futuras regulamentações ofereçam segurança jurídica e previsibilidade para produtores e consumidores, permitindo um período adequado de adaptação diante da complexidade operacional e comercial que envolve a construção do mercado brasileiro de combustível sustentável de aviação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.