16/Jun/2026
Segundo a Airbus Brasil, o desenvolvimento da indústria brasileira de combustível sustentável de aviação (SAF) depende principalmente de avanços regulatórios e da criação de mecanismos fiscais capazes de viabilizar economicamente os investimentos previstos para o setor. O Brasil já reúne condições favoráveis para a expansão da produção de SAF, incluindo disponibilidade de matérias-primas, domínio tecnológico e interesse da iniciativa privada. Nesse contexto, o principal desafio passou a ser a criação de um ambiente regulatório e tributário que ofereça maior previsibilidade aos investidores e acelere a implementação dos projetos anunciados. O setor contabiliza mais de 30 projetos relacionados à produção de SAF em diferentes estágios de desenvolvimento. Entretanto, a expectativa é que apenas uma parcela dessas iniciativas avance efetivamente para a fase de implantação industrial. As estimativas indicam que entre 10 e 15 projetos apresentam potencial de viabilidade econômica dentro das condições atualmente avaliadas pelo mercado.
A discussão sobre incentivos fiscais tem ganhado relevância à medida que governos e empresas buscam mecanismos para reduzir os custos de produção do combustível sustentável e ampliar sua competitividade frente aos combustíveis fósseis. Entre as alternativas debatidas estão benefícios tributários destinados tanto à produção do SAF quanto aos equipamentos e ativos utilizados nas futuras plantas industriais. A experiência acumulada pelo Brasil no desenvolvimento de políticas públicas voltadas aos biocombustíveis é apontada como uma vantagem competitiva para a estruturação do novo mercado. O histórico de programas de incentivo ao etanol e ao biodiesel é considerado um referencial para a construção de instrumentos capazes de acelerar a expansão da produção nacional de SAF. Do ponto de vista tecnológico, as avaliações indicam que os desafios para a ampliação do uso do combustível sustentável na aviação são atualmente limitados.
O desenvolvimento tecnológico dos motores e das especificações técnicas do produto reduziu significativamente as barreiras para sua utilização em escala comercial, deslocando o foco das discussões para questões econômicas, regulatórias e de financiamento. Outro fator favorável destacado para o mercado brasileiro é a ampla disponibilidade de matérias-primas com potencial de utilização na produção de SAF. A oferta de insumos agrícolas e energéticos coloca o País em posição competitiva em relação a outros mercados internacionais que enfrentam restrições de abastecimento para expansão da produção. Nesse cenário, a combinação entre segurança regulatória, incentivos fiscais, disponibilidade de matéria-prima e mecanismos de financiamento é considerada fundamental para transformar os projetos anunciados em capacidade efetiva de produção, fortalecendo a participação do Brasil no mercado global de combustíveis sustentáveis para aviação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.