01/Jun/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sexta-feira (29/05) em alta na Bolsa de Nova York, recuperando parte das perdas acumuladas que haviam levado a commodity às mínimas de um mês na sessão anterior. O contrato julho, atual referência do mercado, avançou 13 pontos, ou 0,93%, e fechou a 14,06 centavos de dólar por libra-peso. O movimento foi sustentado por preocupações com o abastecimento asiático e pelo cenário de combustíveis no Brasil, fatores que estimularam recomposição de posições por fundos de investimento. Segundo informações da Barchart, o departamento de meteorologia da Índia reduziu a projeção de chuvas das monções entre junho e setembro de 92% para 90% da média histórica em razão do avanço do fenômeno El Niño. O cenário elevou os temores de impacto sobre a próxima safra do segundo maior produtor global de açúcar e incentivou cobertura de posições vendidas no mercado futuro.
O mercado também acompanhou os efeitos do reajuste da gasolina promovido pela Petrobras. Apesar de o repasse às distribuidoras ter sido limitado a cerca de 1,5% devido à manutenção do subsídio federal de R$ 0,44 por litro, a valorização dos combustíveis reforçou a atratividade relativa do etanol no mercado doméstico. A leitura de paridade entre açúcar e etanol favoreceu compras de oportunidade na Bolsa de Nova York. O equivalente do etanol hidratado foi estimado próximo de 15,00 centavos de dólar por libra-peso, acima do nível atual do açúcar. O movimento neutralizou parcialmente a pressão negativa do petróleo WTI, que recuou 1,93%, para US$ 93,71 por barril, diante de negociações geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. Apesar da recuperação das cotações, a percepção de ampla oferta física no curto prazo limitou ganhos mais expressivos.
O mercado segue assimilando os dados da safra brasileira de cana-de-açúcar. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a moagem acumulada no Centro-Sul atingiu 60 milhões de toneladas de cana até o fim de abril, volume equivalente ao dobro do registrado no mesmo período do ciclo anterior. O rendimento agrícola avançou 12,6% na comparação anual, alcançando 83,45 toneladas por hectare, enquanto o Açúcar Total Recuperável (ATR) subiu para 112,6 quilos por tonelada de cana-de-açúcar. Com mix açucareiro de 40,3%, a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul somou 2,475 milhões de toneladas, alta de 55,3% frente ao mesmo período da safra passada. A StoneX avalia que os dados confirmam um início de safra forte e antecipado no Brasil. As usinas priorizaram inicialmente a produção de etanol para aproveitar os preços mais elevados do biocombustível durante a entressafra, mas a tendência é de aceleração da fabricação de açúcar nos próximos meses, diante do avanço da moagem e da melhora dos indicadores agrícolas.