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01/Jun/2026

Etanol: subsídio à gasolina pode pressionar usinas

A decisão do governo brasileiro de compensar a alta dos preços internacionais do petróleo por meio de subsídio à gasolina pode gerar efeitos negativos para o mercado de etanol e para o setor sucroenergético. A medida reduz a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina, desestimula a formação de estoques do biocombustível e pode levar as usinas a ampliarem a destinação de cana-de-açúcar para a produção de açúcar. O subsídio à gasolina tende a reduzir a atratividade econômica do etanol no mercado doméstico, comprometendo a estratégia de estocagem do produto e afetando a disponibilidade futura do biocombustível no País. O cenário pode incentivar importadores estrangeiros a ampliar as compras de etanol brasileiro, diminuindo ainda mais a oferta interna em períodos posteriores.

O impacto é mais preocupante em um contexto no qual tanto o açúcar quanto o etanol vêm sendo negociados abaixo dos custos de produção em parte das usinas, ampliando a pressão financeira sobre o setor sucroenergético. A política adotada pelo governo reduz o potencial de utilização de uma das principais vantagens competitivas do Brasil no mercado de energia, que é a ampla oferta doméstica de etanol associada à frota de veículos flex fuel. O sistema brasileiro foi estruturado justamente para permitir a substituição parcial da gasolina pelo biocombustível em momentos de alta dos preços internacionais do petróleo.

Em condições normais de mercado, o avanço das cotações da gasolina estimularia a migração do consumo para o etanol, reduzindo a necessidade de intervenções governamentais e fortalecendo a função do programa flex como mecanismo de proteção contra choques externos nos preços de energia. A compensação anunciada pelo governo praticamente neutralizou um reajuste de 18,5% nos preços da gasolina, reduzindo o impacto líquido ao consumidor para cerca de 1,3% nos postos. O custo fiscal da medida pode variar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão por mês. A decisão vai na direção oposta à lógica que orientou a criação do programa brasileiro de etanol e dos veículos flex, concebidos para reduzir a dependência do País em relação à gasolina e suavizar os efeitos das oscilações do mercado internacional de petróleo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.