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29/May/2026

Açúcar: futuros recuam com oferta global elevada

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta quinta-feira (28/05) em queda na Bolsa de Nova York, ampliando as perdas acumuladas ao longo da semana e renovando as mínimas em um mês. O contrato julho, referência do mercado, recuou 21 pontos, ou 1,49%, e fechou a 13,93 centavos de dólar por libra-peso. O movimento baixista continuou refletindo os dados operacionais divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) para o Centro-Sul do Brasil. A produção de açúcar alcançou 2,475 milhões de toneladas no acumulado da safra até 1º de maio, avanço de 55,3% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O desempenho foi sustentado pelo aumento da produtividade agrícola e pelo crescimento de 5,4% no teor de ATR, que atingiu 112,58 quilos por tonelada de cana-de-açúcar processada.

O avanço da moagem e da disponibilidade de matéria-prima reforçou a percepção de ampla oferta imediata no mercado internacional, superando o suporte associado ao maior direcionamento da produção para etanol pelas usinas brasileiras. O cenário de pressão sobre os preços também foi intensificado pelo desempenho das exportações da Tailândia. Segundo dados da Barchart, os embarques tailandeses cresceram 29% no primeiro quadrimestre de 2026, totalizando 1,60 milhão de toneladas. Paralelamente, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 2,20 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, consolidando a recuperação da oferta mundial após o déficit registrado na temporada anterior.

No ambiente macroeconômico, o petróleo WTI recuava 0,51%, para US$ 94,29 por barril, reduzindo parte do suporte inflacionário para as commodities agrícolas e energéticas. Apesar do viés baixista no curto prazo, o mercado segue monitorando riscos climáticos relacionados ao fenômeno El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima probabilidade de 82% de formação do evento climático entre maio e julho, com 67% de chance de ocorrência de um evento de forte intensidade até o fim do ano. O quadro mantém preocupação com potenciais impactos sobre a produtividade agrícola na Ásia e no Brasil. As projeções para a safra 2026/27 seguem indicando possível aperto de oferta global. A OIA projeta déficit mundial de 262 mil toneladas no próximo ciclo. Consultorias privadas também estimam saldo negativo, incluindo a Datagro, com déficit de 3,17 milhões de toneladas, e a StoneX, com déficit de 550 mil toneladas.