29/May/2026
A Receita Federal deflagrou, nesta quinta-feira (28/05), a Operação Fluxo Oculto, segunda fase da Operação Carbono Oculto, com foco na investigação de um esquema criminoso envolvendo o setor de combustíveis e estruturas financeiras paralelas. A ação integra uma força-tarefa com o Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Gaeco, além da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e polícias Civil e Militar.
As investigações identificaram seis fintechs suspeitas de operar como bancos paralelos de uma organização criminosa ligada ao setor de combustíveis. As instituições teriam movimentado mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, sendo utilizadas em esquemas de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, blindagem patrimonial e ocultação de recursos ilícitos. A operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco Estados (São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro) com mobilização de cerca de 135 auditores fiscais, analistas tributários e servidores da Receita Federal, além de equipes dos órgãos parceiros.
Segundo as apurações, as fintechs atuavam como núcleo financeiro paralelo para compensações entre distribuidoras, postos de combustíveis, fundos de investimento e empresas ligadas ao grupo investigado. Também eram utilizadas para pagamentos de despesas pessoais, investimentos e movimentações destinadas a dificultar o rastreamento dos fluxos financeiros. Entre as irregularidades identificadas estão depósitos bilionários em espécie e o uso de contas bolsão para concentração e redistribuição de recursos ilícitos. Em um dos casos, uma fintech teria recebido mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024.
As investigações indicam ainda o uso de familiares, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos na abertura de empresas utilizadas para ocultação de beneficiários finais do esquema. Também foram identificadas transações envolvendo ao menos R$ 365 milhões em criptoativos associados a operações de lavagem de dinheiro. Na frente ligada aos combustíveis, a apuração aponta adulteração com uso de nafta petroquímica, com desvio de produto destinado ao uso industrial para mistura em combustíveis automotivos. O esquema teria gerado prejuízo superior a R$ 200 milhões em tributos sonegados em dois anos.
Parte dos recursos teria sido direcionada a fundos de investimento utilizados para ocultação patrimonial. As estruturas investigadas incluem quatro fundos com patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano, segundo os investigadores. O conjunto das operações aponta integração entre fintechs e fundos de investimento como mecanismo financeiro paralelo para circulação e ocultação de recursos ilícitos no setor de combustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.