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29/May/2026

Combustíveis: Carbono Oculto mira na “Faria Lima”

A segunda fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/05), voltou à Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, no avanço das investigações sobre a engrenagem financeira do PCC no mercado de combustíveis. Segundo os investigadores, o esquema operado pela facção combina lavagem de dinheiro e alta rentabilidade na cadeia produtiva do setor, com uso de fintechs e fundos de investimento para ocultar os recursos. A sonegação fiscal e a adulteração de combustíveis ampliaram os lucros obtidos pelo grupo em ao menos R$ 26 bilhões desde 2022, segundo o Ministério Público e a Receita Federal.

Após a primeira fase da Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, as apurações avançaram especificamente sobre seis fintechs suspeitas de integrar um robusto núcleo financeiro da facção. De acordo com a Promotoria, as empresas eram usadas para compensações financeiras entre distribuidoras e postos de combustíveis, movimentações entre empresas e fundos de investimento administrados pela organização criminosa, além do pagamento de colaboradores e de despesas pessoais dos principais operadores do esquema. Ao todo, a operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas em cinco Estados. Há alvos em São Paulo, na capital e em cidades como Arujá, Atibaia, Barueri, Santos e São José do Rio Preto; no Paraná, em Cascavel e Paranavaí; em Iguatemi, no Mato Grosso do Sul; em Belo Horizonte, em Minas Gerais; e no Rio de Janeiro.

Entre os principais endereços alvo da operação estão empresas do grupo Ceopag, em São José do Rio Preto e Barueri; do grupo Sispay, instalado em conjuntos comerciais na Rua Joaquim Floriano, no Itaim Bibi; do grupo Smart Solutions, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro; e do grupo Yaw, com endereços em Alphaville e no centro de Belo Horizonte (MG). A investigação também alcançou a Ello Gestora de Recursos Ltda, com endereços na Vila Nova Conceição e na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Segundo os investigadores, os fundos e instituições de pagamento eram utilizados para ocultar patrimônio, movimentar recursos do esquema e dissimular os reais beneficiários das operações financeiras ligadas ao PCC.

Investigações da Operação Fluxo Oculto identificaram que uma das seis fintechs suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) movimentou aproximadamente R$ 1 bilhão em dinheiro em espécie entre 2022 e 2024. Segundo o Ministério Público e a Receita Federal, as instituições investigadas operaram cerca de R$ 26 bilhões em quatro anos no âmbito de esquemas associados a fraudes no setor de combustíveis. As fintechs são apontadas como peças centrais da estrutura financeira investigada na operação, considerada desdobramento da Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. De acordo com as apurações, as operações financeiras continuaram mesmo após a ofensiva anterior contra lavagem de dinheiro e fraudes ligadas ao setor de combustíveis.

Dados da Receita Federal indicam que as fintechs utilizavam mecanismos classificados pelos investigadores como estrutura de dupla camada de ocultação patrimonial. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificou que os recursos movimentados pelas operações eram posteriormente direcionados a quatro fundos de investimento, que atualmente somam aproximadamente R$ 205 milhões em ativos. As investigações também alcançam duas administradoras e duas gestoras ligadas aos fundos utilizados na estrutura financeira sob apuração. Segundo os órgãos de fiscalização, os mecanismos eram utilizados para dificultar o rastreamento da origem e da destinação dos recursos.

A Receita Federal destacou que, até 2025, instituições de pagamento não eram obrigadas a apresentar a declaração e-Financeira, instrumento utilizado para registrar movimentações financeiras de clientes. A ausência dessa obrigação limitava o rastreamento das operações financeiras pelas autoridades fiscais. No caso da Operação Fluxo Oculto, três das seis fintechs investigadas entregaram a e-Financeira, reportando aproximadamente R$ 8 bilhões em movimentações no ano de 2025. As outras três instituições foram autuadas pela Receita Federal por não apresentarem a declaração obrigatória. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.