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29/May/2026

Raízen expõe detalhes de reestruturação financeira

A Raízen informou, por meio de fato relevante, que passou a disponibilizar, em seu site de Relações com Investidores, materiais apresentados a credores financeiros no contexto de sua reestruturação financeira e do plano de recuperação extrajudicial. Segundo a companhia, os documentos haviam sido compartilhados com grupos de credores quirografários com os quais negocia os principais termos do plano e agora são divulgados para "garantir transparência e igualdade de acesso" às informações. Segundo a empresa, o material foi preparado "exclusivamente" para discussões com os credores. Portanto, não deve ser usado como base para decisão de investimento. A companhia ressalta, ainda, que as estimativas e projeções "não configuram guidance oficial" e podem divergir dos resultados efetivos, diante de riscos e incertezas. Nos documentos, a Raízen detalha o desenho preliminar da operação de reestruturação, ainda sujeita a negociação e sem contratos definitivos assinados.

Entre os termos descritos, aparece uma combinação de reperfilamento de dívida e conversão em ações, além de aporte de capital pelos acionistas. O material recupera também que a empresa contabilizava uma dívida total de R$ 75,3 bilhões em março de 2026, dos quais R$ 65,4 bilhões estão sujeitos ao processo de recuperação extrajudicial. Os bonds em dólar representam a maior parcela do endividamento, somando R$ 27,2 bilhões, seguidos por financiamentos de pré-pagamento de exportação, com R$ 11,9 bilhões. A proposta principal de reestruturação prevê a conversão de 45% da dívida reestruturada em ações da companhia ao preço de R$ 0,25 por papel, além da troca de 55% do passivo por novos instrumentos de dívida de longo prazo. A operação inclui ainda um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e potencial injeção adicional de R$ 500 milhões por veículo ligado à Aguassanta Investimentos, da família Rubens Ometto, dono da Cosan.

Contudo, segundo apurações, os credores já não contam mais com esse aporte de R$ 500 milhões Ometto na Raízen. Ainda conforme a empresa, os credores poderão optar por receber os novos instrumentos na mesma moeda de seus créditos atuais, incluindo real, dólar e potencialmente euro. Os novos papéis teriam vencimentos entre 2032 e 2035, remuneração atrelada ao CDI ou juros em dólar e euro, além de garantias sobre ativos específicos da companhia. O plano também contempla alternativas mais agressivas de desconto para credores que optarem por recebimentos em condições diferenciadas. A Raízen também propõe uma reorganização societária, com separação entre os negócios de energia e distribuição de combustíveis, além de um programa de venda de ativos. A empresa já anunciou a venda de seis usinas e negocia desinvestimentos adicionais envolvendo ativos com capacidade de moagem entre 10 milhões e 15 milhões de toneladas.

O plano prevê ainda a separação formal das operações entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis após a conclusão da reestruturação. Os acordos anunciados até agora somam cerca de R$ 4 bilhões. O material mostra ainda que os credores passariam a ter forte influência sobre a governança da empresa. Após a conclusão da reestruturação, os credores indicariam quatro dos sete membros do conselho de administração, incluindo o presidente do colegiado. A proposta também prevê a manutenção da atual diretoria durante a implementação do plano, sob supervisão de representantes dos credores. Apesar da crise financeira, a Raízen sustenta, na apresentação, uma visão positiva para seus mercados de atuação no longo prazo. Destaca crescimento esperado da demanda global por etanol e açúcar, defendendo que o Brasil está estrategicamente posicionado para suprir déficits globais de oferta. Também afirma ter avançado em eficiência operacional.

Segundo os dados apresentados, o Ebitda normalizado por metro cúbico cresceu 35% na comparação anual, enquanto as despesas administrativas por metro cúbico recuaram 25%, refletindo ganhos operacionais, logísticos e comerciais. Os documentos ainda detalham contingências tributárias de R$ 24,6 bilhões classificadas como possíveis, além de litígios totais de R$ 28,7 bilhões envolvendo questões tributárias, cíveis, trabalhistas e ambientais. Parte relevante dessas contingências poderá ser reembolsada por Shell e Cosan, conforme acordos firmados na criação da Raízen em 2011. Segundo o cronograma preliminar apresentado aos credores, o fechamento da reestruturação está previsto para ocorrer até março de 2027, enquanto a segregação dos negócios deve ser concluída até dezembro do mesmo ano. A Raízen apresentou a credores financeiros uma visão otimista para os mercados globais de etanol e açúcar como parte da estratégia para sustentar seu plano de recuperação extrajudicial e a desalavancagem da companhia nos próximos anos.

Em material divulgado na quarta-feira (27/05), a empresa defende que o "Brasil está estrategicamente posicionado para atender um crescimento estrutural da demanda global por biocombustíveis e açúcar", em um cenário de expansão dos mandatos de mistura de etanol e restrições de oferta em outros grandes produtores. “O crescimento da demanda global por etanol exigirá expansão da oferta brasileira”, destaca a apresentação. A companhia acrescenta que países como Estados Unidos, Índia, Japão, Vietnã e Indonésia vêm ampliando políticas de mistura obrigatória de etanol à gasolina, enquanto o combustível produzido a partir da cana-de-açúcar apresenta pegada de carbono inferior à de outras matérias-primas, incluindo o etanol de milho. Segundo o material, a demanda global adicional potencial por etanol pode chegar a 32 bilhões de litros com a expansão desses programas. A Raízen também argumenta que os Estados Unidos poderão direcionar uma parcela maior de sua produção ao mercado doméstico, reduzindo exportações e ampliando espaço para o Brasil no comércio internacional de etanol.

A apresentação afirma que Brasil e Estados Unidos concentram a maior parte das exportações globais do biocombustível. No açúcar, a empresa projeta crescimento contínuo do consumo global e afirma que o mundo deverá enfrentar necessidade adicional de capacidade produtiva até 2040. A apresentação estima consumo global de 214 milhões de toneladas em 2040, acima da capacidade projetada de produção de 197 milhões de toneladas. "Investimentos adicionais serão necessários para abastecer o mercado global de açúcar", pontua o material. A companhia sustenta ainda que o Brasil possui "vantagens estruturais" para capturar essa expansão, incluindo disponibilidade de terras, produtividade agrícola, proximidade de infraestrutura exportadora e menor custo de produção entre os principais players globais. Segundo a apresentação, mesmo com preços internacionais próximos de 15 centavos de dólar por libra-peso, o Brasil segue como produtor de menor custo entre os grandes exportadores globais de açúcar. Fonte: Broadcast Agro.