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29/May/2026

Raízen avança na venda de operação na Argentina

A Raízen informou a credores financeiros que avançou no processo de venda de sua operação de combustíveis na Argentina, dentro da estratégia de redução de alavancagem e reorganização operacional da companhia. Segundo apresentação divulgada no contexto da recuperação extrajudicial, a empresa afirmou que já selecionou potenciais compradores após a fase de ofertas não vinculantes e agora negocia contratos definitivos da operação. A expectativa da companhia é concluir a assinatura da transação nos próximos meses, com valuation alinhado aos múltiplos de mercado. A venda da operação argentina faz parte de um amplo programa de desinvestimentos iniciado no começo do turnaround da companhia. A atual administração estabeleceu uma estratégia focada na venda de ativos não estratégicos, afirma o material apresentado aos credores. A companhia informou ainda que segue avaliando potenciais vendas adicionais de ativos, incluindo usinas e operações ligadas ao segmento de energia.

Segundo a apresentação, os acordos anunciados até o momento somam cerca de R$ 4 bilhões. O plano de desinvestimentos integra a estratégia de redução de endividamento da Raízen, que apresentou a credores proposta de reestruturação envolvendo reperfilamento de dívida, conversão parcial em ações e aporte de capital dos acionistas. A Raízen apresentou a credores financeiros uma tese de recuperação estrutural das margens do setor de distribuição de combustíveis no Brasil, baseada no avanço da fiscalização sobre práticas consideradas ilegais e no endurecimento regulatório contra distribuidoras inadimplentes e fraudes tributárias. Em apresentação divulgada no contexto de sua recuperação extrajudicial, a companhia afirma que distribuidoras independentes ampliaram participação de mercado nos últimos anos impulsionadas, em parte, por práticas irregulares, como descumprimento da mistura obrigatória de biodiesel, inadimplência tributária e não pagamento de créditos de descarbonização do RenovaBio.

Segundo o material, cerca de 20% da fatia das distribuidoras independentes, que hoje representam 41% do mercado, estariam associados a práticas consideradas ilegais. A Raízen lembra ainda que as três maiores distribuidoras continuam representando mais de 60% do setor brasileiro de combustíveis. A apresentação cita medidas recentes de fiscalização e endurecimento regulatório no setor de combustíveis, defendendo que esse movimento tende a favorecer as grandes distribuidoras ao reduzir a atuação de empresas consideradas irregulares. A companhia também sustenta que o mercado brasileiro possui fundamentos estruturais favoráveis no longo prazo, apoiados pelo crescimento da frota de veículos, pela elevada dependência do transporte rodoviário e pelo ritmo ainda lento de eletrificação da frota. “O setor brasileiro de distribuição de combustíveis é sustentado por fundamentos sólidos, que devem impulsionar o desempenho das receitas”, afirma a apresentação. Fonte: Broadcast Agro.