28/May/2026
A Atvos anunciou uma nova etapa de expansão do setor bioenergético com o avanço de projetos integrados de etanol de cana-de-açúcar e milho em Nova Alvorada do Sul, em Mato Grosso do Sul, movimento que amplia a diversificação industrial do Estado, reduz a ociosidade das usinas e fortalece a demanda regional por grãos. A implantação da primeira usina integrada de etanol de cana-de-açúcar e milho no Estado reforça a estratégia do setor de operar durante praticamente todo o ano, utilizando a cana-de-açúcar no período tradicional de moagem e o milho na entressafra sucroenergética. O modelo integrado ganha espaço no Centro-Oeste por combinar maior eficiência industrial, diluição de custos fixos e melhor aproveitamento logístico. Diferentemente da cana-de-açúcar, o milho pode ser armazenado por longos períodos, permitindo continuidade operacional mesmo fora da safra canavieira.
Essa característica reduz a sazonalidade das usinas e melhora a rentabilidade dos ativos industriais, além de ampliar a geração de empregos e o consumo regional de grãos. A expansão ocorre em um momento de crescimento estrutural da produção de milho em Mato Grosso do Sul, especialmente da 2ª safra, que elevou a disponibilidade interna de matéria-prima e abriu espaço para agregação de valor dentro do próprio Estado. O avanço das usinas de etanol de milho também contribui para reduzir a dependência do transporte de grãos para outros centros consumidores, transformando parte da produção agrícola em biocombustíveis, farelo proteico, óleo vegetal e energia elétrica. O Estado já ocupa posição de destaque nacional no segmento. Dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) apontaram que Mato Grosso do Sul respondeu por cerca de 21,9% da produção brasileira de etanol de milho na safra 2022/23, mesmo operando inicialmente com apenas uma unidade industrial em funcionamento.
A produção estadual alcançou aproximadamente 0,71 milhão de metros cúbicos naquele ciclo. Além da produção de etanol, o modelo integrado amplia a oferta de coprodutos de alto valor agregado, especialmente DDG e DDGS, utilizados na alimentação animal. Esse movimento fortalece também a cadeia pecuária regional, principalmente bovinocultura de corte, leite, suinocultura e avicultura, criando um ambiente de maior integração entre agricultura, energia e proteína animal. Outro fator relevante é o aumento da capacidade de cogeração de energia elétrica e produção de biogás nas novas plantas industriais. Projetos recentes no Estado já incorporam sistemas de aproveitamento energético de resíduos industriais, alinhando o crescimento do setor à agenda de descarbonização e transição energética.
A competitividade do etanol de milho também ganhou força nos últimos anos com a ampliação da mistura obrigatória de biocombustíveis, a expansão do mercado flex fuel e a busca global por combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, o avanço do setor cria uma nova dinâmica para o mercado de milho, aumentando a competição pela matéria-prima e reduzindo a pressão sazonal de excedentes durante a colheita da 2ª safra. No médio prazo, a tendência é de continuidade dos investimentos em usinas híbridas no Centro-Oeste, especialmente em regiões com elevada disponibilidade de milho, infraestrutura logística em expansão e proximidade com polos consumidores de combustíveis e proteína animal. Mato Grosso do Sul passa, assim, a consolidar um novo eixo estratégico da bioenergia nacional, integrando produção agrícola, indústria de biocombustíveis e geração de energia renovável em uma mesma cadeia produtiva. Fonte: Giro do Boi. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.