28/May/2026
As reuniões entre representantes de credores e a Raízen, empresa controlada pela Cosan e pela Shell, tomaram ritmo acelerado e intenso a partir desta quarta-feira (27/05), para se chegar a um plano de recuperação extrajudicial melhor desenhado até o dia 3 de junho. O prazo leva em conta o tempo necessário para que o plano possa ser depois analisado pelos credores, dentro de seus comitês de crédito, e esteja escrito e aprovado para ser homologado pela Justiça no dia 9, como deseja a companhia. As discussões partem da proposta apresentada pela Shell e, com exceção dos detentores de títulos de dívida externa (bondholders), bancos e os credores locais estão alinhados. Os detentores de debêntures e de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) entraram recentemente nas negociações, após bondholders saírem da mesa há mais de uma semana. O grupo, entretanto, já voltou às tratativas que vão até a próxima semana.
Já não se conta mais com os R$ 500 milhões que seriam aportados por Rubens Ometto, sócio fundador da Cosan. Dessa forma, permanece a previsão de injeção imediata pela Shell de R$ 3,5 bilhões na Raízen, assim como a proposta de conversão de 45% da dívida de R$ 65 bilhões em ações. Essa conversão foi contestada inicialmente pelos credores bancários, mas eles resolveram abrir mão dessa disputa. Também, segundo o que foi apresentado pela Shell, a dívida remanescente ou não convertida seria paga com juro entre 7% e 7,5% ao ano. "Não morremos de amor por isso", disse um dos credores bancários em condição de anonimato. No entanto, acrescentou outra fonte, "a realidade se impôs" e já é claro que uma recuperação judicial traria distribuição de valor muito grande e colocaria em risco o potencial de recuperação dos créditos.
Embora a maior parte das dívidas da Raízen seja concursal, ou seja, sem garantias e passível de ser tratada no plano de recuperação extrajudicial, uma parcela tem garantia e pode ser cobrada fora do processo. Grande parte dessas garantias são Cédulas do Produtor Rural (CPR) e por adiantamentos de contratos de câmbio (ACC). A Raízen ficou blindada de cobranças, no entanto, ao protocolar o pedido de recuperação extrajudicial em março. Ainda assim, é importante fechar com urgência um acordo, já que há contratos de ACCs e de derivativos atrasados e que precisam ser honrados. "Essa é a maior urgência financeira da Raízen", disse uma fonte. Os bondholders resistiram às condições apresentadas pela companhia, com intenção de manter uma fatia menor de conversão e garantir a perspectiva de recuperação maior de seus créditos. Eles chegaram a discutir um empréstimo de cerca de US$ 2,5 bilhões para a empresa, a fim de elevar a injeção imediata de capital na Raízen. Mas a ideia não foi adiante.
"Os detentores de títulos de dívida buscavam condições comerciais inviáveis para a situação atual da companhia e que poderiam trazer risco ao passivo no longo prazo", disseram duas fontes. Depois de pressionarem por condições melhores do que as apresentadas pela Shell, esses credores voltaram nesta semana às conversas, que ainda carecem de acertos nos detalhes. Mesmo durante o período mais duro das negociações, uma coisa era certa: uma Recuperação Judicial seria o pior caminho para todos. Assim, o prazo do dia 9 de junho sempre esteve na conta dos credores e funcionou até o momento em favor da Shell que, ao final do processo, deve seguir sozinha como controladora da Raízen, com uma dívida menor para consolidar em seu balanço. A Shell reiterou que "apoia a decisão da equipe de gestão da Raízen de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial em comum acordo com os credores, visando uma solução negociada e que funcione para todas as partes" e "que continuará trabalhando em estreita colaboração com a equipe de liderança da Raízen e credores no intuito de assegurar o futuro de longo prazo do negócio". Fonte: Broadcast Agro.