26/May/2026
Em São Paulo, o mercado spot de açúcar cristal continua operando em ritmo reduzido. A média do Indicador CEPEA/ESALQ, cor Icumsa de 130 a 180, é de R$ 93,90 por saca de 50 Kg queda de 2,11% nos últimos sete dias (R$ 95,94 por saca de 50 Kg). De modo geral, os compradores estão retraídos dos negócios, à espera de novas baixas. No campo, dados recentes do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) indicam crescimento de 13% na produtividade da cana-de-açúcar do Centro-Sul em abril, enquanto consultorias revisam para cima as projeções de moagem para a safra 2026/27, cenário que tende a reforçar a expectativa de oferta abundante ao longo do ciclo. Por outro lado, projeções recentes apontam recuo no ATR médio e mix de produção mais voltado ao etanol, o que pode limitar a oferta de açúcar no curto prazo.
No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York estão enfraquecidos, devido ao avanço das exportações de açúcar da Tailândia nos primeiros quatro meses de 2026. Segundo dados da fintech Barchart, os embarques tailandeses entre janeiro e abril de 2026 cresceram 29% frente ao mesmo período de 2025, totalizando 1,6 milhão de toneladas. Ainda que seu volume embarcado seja relativamente baixo, a Tailândia é a segunda maior exportadora mundial de açúcar. Na Bolsa de Nova York, o contrato Julho/26 está cotado a 14,70 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,68% nos últimos sete dias. Na comparação entre as médias semanais, de 18 a 22 de maio, o contrato Julho/26 registrou média de 14,81 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 1,36% em relação à anterior.
Segundo dados da Agrostat, o Brasil acumulou 6,04 milhões de toneladas de açúcar exportadas no primeiro trimestre deste ano, alta de 5,78% frente às 5,71 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. Adicionando-se o volume de abril, o acumulado de jan–abr/2026 está em 7,2 milhões de toneladas. Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) indica produção mundial recorde de 182 milhões de toneladas, volume 3,5% superior ao verificado no ciclo anterior. A Organização também estima superávit global de 2,2 milhões de toneladas, acima da previsão anterior, de 1,22 milhão de toneladas. Outro fator de pressão veio do mercado de energia. Com a possibilidade de normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, o barril do petróleo Brent voltou a ser negociado na faixa dos US$ 90,00. A redução dos preços dos combustíveis fósseis pode estimular usinas de países como Brasil e Índia (primeiro e segundo maiores produtores mundiais de açúcar, respectivamente) a ampliarem a produção da commodity em detrimento do etanol.
Por outro lado, preocupações climáticas limitaram as baixas nas cotações do açúcar na Bolsa de Nova York. O fenômeno El Niño está em formação, com 82% de probabilidade de emergência no trimestre maio-junho-julho, segundo o CPC/NOAA. O principal risco de contração de oferta incide sobre Índia e Tailândia, onde o fenômeno historicamente provoca seca e redução direta de produção. No Brasil, o efeito esperado sobre o Centro-Sul é inverso: excesso de chuva durante a safra, com potencial de reduzir o ritmo de moagem, comprimir o ATR e pressionar o mix de açúcar, impacto operacional que pode desordenar o calendário de embarques, mas não necessariamente reduzir o volume colhido de forma expressiva. Em São Paulo, no atacado, o Indicador de Cristal Empacotado está cotado a R$ 12,52 por saca de 5 Kg, baixa de 0,38% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,7174 por saca de 1 Kg, retração de 0,53% no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.