26/May/2026
Em meio à possibilidade real de que Rubens Ometto, empresário dono da Cosan, deixe de compor o aumento de capital da Raízen, parte dos credores já não conta com os R$ 500 milhões que viriam do empresário para somar, com a Shell, um aporte de R$ 4 bilhões na companhia. A permanência ou não de Ometto no arranjo de capital novo na Raízen ainda está em discussão, sendo a sua ausência uma das opções sérias na mesa. No contexto geral da empresa, no entanto, o aporte de Ometto não faria diferença para reequilibrar financeiramente a companhia. A Raízen é uma joint venture entre a Cosan e a Shell e entrou com pedido de recuperação extrajudicial em 11 de março, com dívidas de R$ 65 bilhões. A intenção da companhia, segundo fontes, é levar um plano para ser homologado na Justiça no início de junho, quando se encerra o prazo de 90 dias previsto por lei. As negociações entre os credores e a Raízen andam de lado.
Os credores detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) tentavam costurar um empréstimo sênior e com garantias para a Raízen, da ordem de R$ 2,5 bilhões. "O custo desse empréstimo e as garantias eram inviáveis", disse um dos interlocutores que participa das negociações. Os bondholders também vinham defendendo uma taxa de conversão de dívida em ações menor do que os 45% propostos pela companhia. No entanto, a taxa de conversão tem de ser suficiente para reequilibrar o passivo da companhia de forma que, ao consolidar a Raízen em seu balanço, a Shell não traga para dentro um problema. Pessoas de diferentes lados da negociação, porém, afirmaram que o caminho é de acordo até o dia 9 de junho, data limite para aprovação do plano. O entendimento é de que uma recuperação judicial seria pior para todos os envolvidos, ainda que, como forma de pressão, essa possibilidade surja vez ou outra de forma retórica.
"Há muito barulho e pressão, mas vai se chegar a um acordo até o dia 9", afirmou uma das fontes com contato próximo a bondholders. Em conversa com acionistas na última semana, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que as negociações com os credores da Raízen têm evoluído. Ao reforçar que a Cosan não acompanhará o aporte de capital a ser feito na empresa pela Shell (principal sócia), ele disse que isso vai resultar em uma diminuição substancial da participação da Cosan na companhia. Diluição esta, que ainda não tem tamanho exato: "tem alguns pontos importantes que ainda estão sendo discutidos, como, por exemplo, além do tamanho da conversão, o preço de conversão", afirmou o executivo. Segundo ele, a Cosan também não tem intenção de se manter em um acordo de acionistas com a Shell. "Isto posto, o que se pode esperar é que tenhamos uma participação que pode ser vendida em um horizonte que vamos definir ainda, não sabemos qual é esse horizonte, nem temos ainda uma decisão concreta que vamos vender", acrescentou.
De acordo com os números divulgados em fevereiro, a Raízen tem dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, com alavancagem de 5,3 vezes (dívida líquida/Ebitda). A Shell afirmou que, como acionista, "apoia a decisão da equipe de gestão da Raízen de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial em comum acordo com os credores, visando uma solução negociada e que funcione para todas as partes. Esse processo é uma medida prudente e necessária para envolver ainda mais as partes relevantes nas soluções necessárias para enfrentar os significativos desafios financeiros da Raízen e apoiar sua recuperação". A Shell empresa reafirmou ainda que propôs injetar R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural. "A Shell continuará trabalhando em estreita colaboração com a equipe de liderança da Raízen e credores no intuito de assegurar o futuro de longo prazo do negócio", disse a companhia em nota. Fonte: Broadcast Agro.