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22/May/2026

Açúcar: futuros em alta acompanhando o petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em alta na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (21/05), recuperando grande parte das perdas registradas na sessão anterior. O vencimento julho, referência atual do mercado, avançou 17 pontos, ou 1,15%, e fechou a 14,90 centavos de dólar por libra-peso. O movimento de valorização foi sustentado principalmente pelo forte avanço do petróleo no mercado internacional. O contrato do WTI subiu quase 2% e voltou a ser negociado acima de US$ 100,00 por barril, em meio à persistência das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O fortalecimento do setor energético elevou a competitividade do etanol hidratado no Brasil, reduzindo o incentivo para aumento do mix açucareiro pelas usinas e limitando a oferta global do açúcar.

Dados consolidados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Única) reforçaram esse cenário ao mostrarem que apenas 32,9% da cana processada na primeira quinzena de abril no Centro-Sul foi destinada à produção de açúcar. Os fundamentos globais também seguem oferecendo sustentação às cotações. O mercado repercutiu relatório da consultoria Czarnikow indicando manutenção da proibição das exportações de açúcar pela Índia até 30 de setembro. A medida reflete a priorização da segurança energética e da expansão do programa de etanol no país asiático. A produção indiana é estimada em 28 milhões de toneladas, praticamente equivalente ao consumo doméstico. Além disso, projeções internacionais seguem indicando déficit global de açúcar para o ciclo 2026/27. A Organização Internacional do Açúcar (OIA) estima saldo negativo de 262 mil toneladas em razão dos riscos climáticos associados ao El Niño sobre as lavouras da Índia e da Tailândia.

A Datagro projeta déficit de 3,17 milhões de toneladas, enquanto a StoneX estima saldo negativo de 550 mil toneladas. Por outro lado, a valorização do dólar frente às principais moedas limitou ganhos mais expressivos nas cotações. O índice DXY avançou 0,36%, para 99,486 pontos, tornando a commodity mais cara para importadores que operam com outras divisas. O mercado também seguiu monitorando fatores baixistas ligados à oferta global. As exportações de açúcar da Tailândia cresceram 29% entre janeiro e abril na comparação anual, totalizando 1,60 milhão de toneladas. Além disso, o mercado continua assimilando o relatório da OIA, que elevou a estimativa de superavit global do ciclo 2025/26 para 2,2 milhões de toneladas, com produção recorde projetada em 182 milhões de toneladas.